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BTG/Nexus marca Lula em 42% contra Flávio em 34%

Pesquisa BTG/Nexus divulgada nesta segunda-feira (29/6) mostra Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 42% no primeiro turno e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com 34%. No segundo turno, Lula aparece com 47% contra 44% de Flávio Bolsonaro, diferença de três pontos percentuais dentro da margem de erro. A consequência política é direta: a eleição presidencial segue polarizada, mas sem folga estatística no confronto mais provável.

O dado central da 5ª rodada não é uma virada. É a compressão da vantagem de Lula na simulação de segundo turno.

No cenário estimulado de primeiro turno, Lula manteve os mesmos 42% registrados na rodada anterior. Flávio Bolsonaro oscilou de 33% para 34%, variação dentro da margem de erro. Ronaldo Caiado aparece com 5%, Renan Santos com 4% e Romeu Zema com 3%. Os demais nomes testados ficam abaixo desse patamar ou aparecem agregados em outros, branco, nulo, nenhum e não sabe ou não respondeu.

O primeiro turno, portanto, permanece estável na fotografia nacional. Lula lidera com oito pontos sobre Flávio Bolsonaro, mas o campo alternativo ao duelo principal segue fragmentado e sem candidato de dois dígitos.

O segundo turno mostra conflito mais estreito. Lula tem 47% e Flávio Bolsonaro, 44%. Na rodada de meados de junho, o placar estava em 49% a 43%, segundo o relatório da BTG/Nexus. A diferença caiu de seis para três pontos percentuais.

Como a margem de erro é de dois pontos para mais ou para menos, o levantamento caracteriza empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro no confronto direto. O número favorece duas leituras simultâneas: Lula preserva vantagem numérica, enquanto Flávio Bolsonaro recupera terreno no duelo final.

O relatório da BTG/Nexus também situa a rodada depois de dois fatos políticos de impacto nacional: a operação da Polícia Federal contra o então líder do governo no Senado, Jaques Wagner, e a divulgação de vídeo em que Michelle Bolsonaro critica Flávio Bolsonaro. A pesquisa ainda mediu o conhecimento dos eleitores sobre o áudio enviado por Flávio Bolsonaro ao banqueiro Daniel Vorcaro, personagem do caso Banco Master.

A disputa não se move apenas por intenção de voto. Ela também se trava no grau de fixação do eleitor. Entre os entrevistados que escolheram algum candidato no primeiro turno, 74% afirmam que a decisão já está tomada e não deve mudar até a eleição. Outros 25% dizem que ainda podem alterar o voto.

Esse dado é pesado para campanhas que apostam apenas em tempo de televisão, máquina partidária ou fatos de última hora. Quanto maior a cristalização, menor o espaço para conversão. A eleição fica mais cara, mais segmentada e mais dependente de abstenção, rejeição e mobilização territorial.

Entre os eleitores de Lula no primeiro turno, 83% dizem que o voto já está decidido. Entre os eleitores de Flávio Bolsonaro, o índice é de 76%. A diferença mostra que Lula tem base mais consolidada no cenário estimulado, mas Flávio Bolsonaro mantém um núcleo suficientemente firme para impedir leitura de eleição resolvida.

A polarização aparece de forma ainda mais clara nos grupos ideológicos. No segundo turno, 87% dos lulistas convictos declaram voto em Lula. Entre os bolsonaristas convictos, 75% votam em Flávio Bolsonaro e 23% dizem votar em Lula, segundo o cruzamento do instituto. Entre os não polarizados, Lula marca 46%, Flávio Bolsonaro fica com 37% e branco, nulo ou nenhum soma 15%.

O recado para 2026 está nesse miolo. Lula e Flávio Bolsonaro falam para bases numerosas, mas a eleição pode ser decidida por quem rejeita os dois polos, por quem vota para derrotar o adversário e por quem pode deixar de comparecer.

No Paraná, a pesquisa atravessa diretamente o palanque da direita. Sergio Moro, Deltan Dallagnol e Filipe Barros terão de decidir se transformam a recuperação nacional de Flávio Bolsonaro em ativo eleitoral estadual ou se mantêm a disputa paranaense centrada em segurança, Lava Jato, costumes e crítica ao Supremo Tribunal Federal. O número ajuda a organizar o discurso bolsonarista, mas também prende seus aliados ao desempenho nacional do senador.

Para a base lulista no Paraná, a vantagem numérica de Lula não elimina o problema territorial. O PT terá de converter liderança presidencial em palanque estadual competitivo, voto para o Senado e capilaridade fora dos municípios onde Lula já tem presença consolidada. Pesquisa nacional não elege governador, senador nem bancada.

A BTG/Nexus ouviu 2.009 eleitores por telefone, entre 26 e 28 de junho de 2026. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com intervalo de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-08521/2026.

A fotografia de 29 de junho mostra Lula à frente, Flávio Bolsonaro vivo na margem e um país ainda preso ao mesmo eixo eleitoral de 2022. A diferença é que, em 2026, cada ponto perdido ou recuperado já nasce com consequência para os palanques estaduais.

Acompanhe no Blog do Esmael a série de pesquisas sobre a eleição presidencial de 2026 e seus efeitos no Paraná.

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