O Brasil registrou 1.347 mortes maternas em 2024, com razão de 56,4 óbitos por 100 mil nascidos vivos, segundo dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM-Datasus) consultados no Observatório da Saúde Pública.
O número mantém o país acima da meta de 30 mortes por 100 mil nascidos vivos até 2030. A Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) afirma que nove em cada dez dessas mortes são evitáveis.
O 28 de maio marca o Dia Nacional de Redução da Mortalidade Materna. A data chama atenção para o pré-natal, o parto assistido e o acompanhamento depois do nascimento, período em que muitos riscos continuam presentes.
A chefe da Unidade da Saúde da Mulher da Maternidade-Escola da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Maria Isabel Peixoto, disse que um pré-natal feito cedo e com qualidade aumenta a segurança da gestante e ajuda a identificar variáveis de risco antes do parto.
Entre as principais causas diretas de morte materna no país estão síndromes hipertensivas, hemorragias, infecções puerperais e complicações do aborto. Essas causas respondem por 66% das mortes maternas no Brasil.
A técnica de enfermagem Fernanda Lopes de Almeida, de 41 anos, grávida de 18 semanas, relatou que faz acompanhamento por hipertensão e por histórico de diabetes gestacional. Ela contou que mudou a alimentação, fez exames e passou a se sentir mais segura com o atendimento recebido.
O enfermeiro obstétrico Renné Costa, do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), defendeu a atuação de equipes multiprofissionais e disse que o Hospital Municipal de Viçosa, em Alagoas, ampliou de 80 ou 90 para 600 partos por ano depois da reorganização do serviço. Ele afirmou que a enfermagem obstétrica tem papel direto na assistência ao parto de baixo risco, amparada pela Lei 7.498/1986.
A ginecologista e obstetra Inessa Beraldo de Andrade Bonomi, vice-presidente da Comissão Nacional Especializada em Gestação de Alto Risco da Febrasgo, alertou que o puerpério exige vigilância. Ela citou sinais que pedem atendimento rápido, como sangramento fora do habitual, febre, falta de ar, dor no peito, dor de cabeça intensa, alteração visual e pressão alta persistente.
A especialista também recomendou retorno à consulta nos primeiros sete dias após o parto, no máximo em dez, para checar condições clínicas e reduzir o risco de agravamento de complicações. A Febrasgo ainda destaca a saúde mental no pós-parto como parte do cuidado que não pode ser deixado de lado.
No plano federal, o governo lançou em 2024 a Rede Alyne, programa que quer reduzir a mortalidade materna em 25% até 2027 e, entre mulheres pretas, em 50% no mesmo período. A iniciativa substitui e reorganiza a antiga Rede Cegonha.
A rede leva o nome de Alyne Pimentel, que morreu aos 28 anos, grávida de seis meses, após falha no atendimento em Belford Roxo (RJ), em 2002. O caso virou símbolo da desigualdade no acesso à saúde materna no país.
Os dados mostram que a mortalidade materna segue como problema concreto de saúde pública, com peso maior sobre mulheres negras, gestantes de risco e famílias que dependem do SUS.
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