O Blog do Esmael entrou na história da Ponte de Guaratuba em 27 de dezembro de 2012, quando lançou a campanha pública pela construção da ligação entre Matinhos e Guaratuba, no Litoral do Paraná, em plena temporada de filas no ferryboat e quando a obra ainda era tratada como promessa esquecida.
A pergunta feita nesta sexta-feira (1º de maio) tem resposta documentada no próprio arquivo do Blog: antes da festa, antes da placa, antes do palanque e antes da disputa eleitoral pela foto, houve pressão pública.
O Blog acreditou na ponte quando muita gente grande do Paraná ainda fingia que o Litoral só existia entre dezembro e fevereiro.
A campanha nasceu com uma cobrança direta: retomar o projeto de uma ponte sobre a baía de Guaratuba, reivindicação antiga de moradores, comerciantes e veranistas da região. O texto original registrava filas de mais de uma hora no ferryboat e citava a mobilização pelo slogan “Ponte Já”.
No dia seguinte, em 28 de dezembro de 2012, o Blog cobrou o então governador Beto Richa (PSDB) com base na Constituição do Paraná. O artigo 36 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias previa concorrência pública para a construção da ponte sobre a baía de Guaratuba.
Ali estava o ponto político da campanha: não era favor do governante de plantão. Era cumprimento de uma obrigação escrita na Constituição estadual.
A mobilização cresceu rápido.
Em 29 de dezembro de 2012, a Associação de Hotéis, Restaurantes, Bares, Casas Noturnas e Prestadores de Serviço e Similares do Litoral Paranaense (Assindilitoral) aderiu à campanha. O presidente José Carlos Chicarelli disse que infraestrutura ajudaria turistas a permanecerem e gastarem mais nas praias paranaenses.
Depois vieram Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), União Geral dos Trabalhadores (UGT), Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Paraná (Crea-PR), lideranças políticas, moradores e o Ministério Público do Paraná (MP-PR). Em 2013, o MP-PR entrou com ação civil pública para cobrar do governo o estudo de viabilidade da ponte.
O Blog também levou o tema para o debate sobre desenvolvimento do Litoral. Em novembro de 2013, ao registrar a adesão do MP-PR, o texto lembrou que a ponte tinha sido discutida no lançamento do “Caderno Litoral”, em Paranaguá, como peça de mobilidade e de economia permanente para a região.
Essa era a tese: Guaratuba, Matinhos, Paranaguá, Pontal do Paraná, Antonina, Morretes e todo o Litoral não poderiam viver reféns de uma economia de temporada, de fila de balsa e de improviso.
A ponte era parte de um projeto maior.
O Blog ajudou a mobilizar as forças vivas do Paraná, setor produtivo, trabalhadores, entidades técnicas, moradores, lideranças políticas e órgãos públicos, quando o assunto ainda não rendia palanque de inauguração.
A obra saiu.
Isso precisa ser celebrado.
Mas a festa não apaga a conta.
O Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná (DER-PR) informou em 2022 que o Consórcio Nova Ponte venceu a licitação com proposta de R$ 386.939.000,00 e prazo de execução de 32 meses.
Em 2 de abril de 2026, o Blog mostrou que a conta já havia chegado a R$ 488.804.650,10 no detalhamento consultado no Portal da Transparência. A alta foi de 26,3%, com cerca de R$ 102 milhões acrescidos ao valor inicial.
A defesa da ponte nunca foi licença para cheque em branco.
O Blog queria a obra porque o Litoral precisava dela.
O Blog não esperava que ela custasse tanto.
Esse é o ponto que incomoda no dia da inauguração: a ponte é uma vitória histórica de Guaratuba, Matinhos e do povo paranaense, mas o custo precisa continuar sob lupa.
Não dá para transformar uma reivindicação legítima em propaganda sem prestação de contas.
Em 2025, o Blog recordou que Orlando Pessuti e Antonio Anibelli colocaram a ponte na Constituição estadual de 1989, por meio do artigo 36 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias. Também lembrou que a campanha de 2012 relançou o debate com o setor produtivo e a sociedade civil.
Essa história tem muitos autores.
Tem moradores que esperaram décadas.
Tem comerciantes que perderam receita em fila.
Tem trabalhadores que atravessaram a baía todos os dias.
Tem entidades que compraram a briga.
Tem parlamentares que escreveram a previsão constitucional.
Tem imprensa independente que cutucou governo quando o tema ainda não rendia vídeo de campanha.
O Blog do Esmael tem a ver com a Ponte de Guaratuba porque ajudou a tirar a obra do esquecimento.
O pontapé inicial da campanha pública, em 2012, foi dado aqui.
A ponte agora existe. A memória também precisa atravessar a baía.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




