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Bets sugam mais de R$ 30 bi por mês dos brasileiros

Os brasileiros já gastam mais de R$ 30 bilhões por mês com apostas online, segundo levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), enquanto famílias endividadas, bancos, governo e Justiça tentam medir o tamanho da ressaca financeira provocada pelas bets.

O dado foi apresentado na terça-feira (28), em Brasília, com base na Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor, que analisou o período de maio de 2021 a março de 2026.

Segundo o levantamento, o gasto mensal com bets saiu de praticamente zero para mais de R$ 30 bilhões em três anos. A CNC associa essa explosão à piora das dívidas mais graves, aquelas em que a família já declara não ter condição de pagar.

A conta é simples, mas brutal.

O Brasil discute juro alto, nome sujo, consignado caro e orçamento apertado, mas deixa correr pelo celular uma sangria que disputa o dinheiro do aluguel, da luz, do mercado e do remédio.

O Banco Central (BC) já havia informado à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Bets, em abril de 2025, que os apostadores destinavam entre R$ 20 bilhões e R$ 30 bilhões por mês às plataformas. A atualização da CNC empurra o problema para outro patamar.

O dinheiro não some apenas na tela.

Ele aparece depois no cartão estourado, no atraso da prestação, no pedido de empréstimo e no brasileiro que troca uma promessa de ganho rápido por uma dívida real.

O estudo aponta 268 mil famílias endividadas por causa de apostas online. O impacto é maior entre homens, pessoas com mais de 35 anos e famílias de baixa renda, mas também aparece entre pessoas com maior escolaridade, pela combinação de celular, crédito e publicidade agressiva.

A publicidade é parte do problema.

As bets ocuparam camisa de clube, intervalo esportivo, rede social, podcast e influenciador. O jogo deixou de parecer jogo e passou a ser vendido como entretenimento, investimento ou renda extra.

Essa maquiagem precisa cair.

Apostas são apostas. Quando o Estado permite a operação, precisa tratar o setor como atividade de risco, com limite de propaganda, proteção ao consumidor e bloqueio duro contra empresas ilegais.

O governo federal começou a apertar o cerco. O Ministério da Fazenda informou que mais de 39 mil sites irregulares já foram bloqueados com apoio da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), além da remoção de 203 aplicativos fora da regulação federal.

A Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), do Ministério da Fazenda, também informou ter instaurado 172 processos envolvendo 73 operadores e 145 marcas. Desse total, 100 são processos sancionadores, ou seja, procedimentos que podem terminar em punição.

Em 24 de abril de 2026, o governo anunciou ainda o bloqueio de 28 plataformas de previsão, sites que permitem apostas sobre eventos futuros, como política, esportes e entretenimento. A Fazenda passou a enquadrar esse mercado na mesma lógica das bets.

A disputa agora é política, econômica e social.

Se o governo endurecer, enfrentará empresas ricas, publicidade pesada e parte do Congresso. Se afrouxar, deixará a conta no colo das famílias.

O país não pode normalizar uma indústria que transforma desespero financeiro em faturamento privado. Bets movimentam bilhões, mas o prejuízo aparece na mesa do trabalhador, na saúde mental e no balcão da renegociação de dívida.

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