Banco Central liquida Banco Pleno e amplia rastro Master

O Banco Central do Brasil, presidido por Gabriel Galípolo, decretou nesta quarta-feira (18) a liquidação extrajudicial do Banco Pleno S.A. e estendeu o regime especial à Pleno Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários (DTVM), mais um capítulo do rastro deixado pelo conglomerado Master no sistema financeiro.

A autoridade monetária justificou a intervenção por “deterioração da situação de liquidez”, além de infrações às normas do setor e descumprimento de determinações do próprio BC. Pela lei, ficam indisponíveis os bens de controladores e administradores.

O Pleno é um banco pequeno no mapa do Sistema Financeiro Nacional (SFN), com cerca de 0,04% do ativo total e 0,05% das captações, segundo o Banco Central, mas o caso tem peso político porque se conecta ao enredo Master, já investigado por suspeitas de fraudes financeiras e operações sob escrutínio.

Na prática, a liquidação extrajudicial é a “tomada” do banco pelo regulador para interromper a operação e organizar a apuração de responsabilidades e o pagamento ordenado de credores dentro das regras, reduzindo risco de corrida e contágio.

O que chama atenção é o caminho torto do antigo Voiter, rebatizado de Pleno, que transitou por reestruturações e promessas de virada digital antes de cair na órbita do Master. Parte do mercado já tratava o caso como “problema anunciado” após restrições de captação e sinais de estresse de liquidez.

O banco já estava impedido de emitir novos CDBs e buscava investidor para seguir operando, o que reforça o diagnóstico de falta de liquidez citado pelo Banco Central. Já o BC afirmou que a medida foi motivada pela deterioração econômico-financeira, infrações a normas e descumprimento de determinações do regulador.

O pano de fundo é a sequência de intervenções após a liquidação do núcleo do conglomerado Master em novembro passado, quando o Banco Central atingiu Banco Master, Banco Master de Investimento, Letsbank e Master Corretora, além do RAET em outra empresa do grupo.

No campo político-financeiro, o caso continua respingando no BRB (Banco de Brasília), banco estatal do Distrito Federal, que anunciou auditorias e medidas internas após a Operação Compliance Zero, investigação que mira negociações e carteiras ligadas ao Master.

Os oligarcas do sistema financeiro, amparados pela velha mídia corporativa, além de tentar blindar o governador do DF, Ibaneis Rocha (MDB), ensaiam empurrar a conta do escândalo envolvendo o Master para o bolso do contribuinte, ao vender a ideia de “federalização” do BRB como saída, na prática socializando um rombo bilionário que gira na casa das dezenas de bilhões e já foi denunciado pelo Blog do Esmael.

Para o investidor comum, a pergunta óbvia é sobre proteção: em eventos como esse, o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) costuma ser o colchão dos depósitos e CDBs elegíveis até os limites previstos, mas cada caso tem rito e cronograma próprios conforme a natureza do produto e do vínculo com a instituição liquidada.

Portanto, a mensagem é dupla. Para os oligarcas do sistema financeiro, o Banco Central deixa claro que não vai tolerar banco sem fôlego, com liquidez em colapso e norma tratada como sugestão. Para a política, o caso Master escancara o preço da fiscalização frouxa e das ligações entre negócio e influência, um roteiro que sempre termina com a mesma disputa, quem paga a conta e como evitar que o prejuízo vire boleto para a sociedade.

Continue acompanhando os bastidores da política e do poder pelo Blog do Esmael.

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