Início / alexandre de moraes

‘Fogo no parquinho’: bolsonaristas e lavajatistas entram em atrito no Paraná

Índice de Tópicos

O clima azedou de vez entre dois grupos que, até pouco tempo atrás, marchavam juntos na política paranaense: o bolsonarismo raiz e o lavajatismo. O ponto de atrito é o senador Sergio Moro (União-PR), que virou alvo de cobranças públicas por parte do advogado criminalista Jeffrey Chiquini, expoente da direita bolsonarista no estado.

Em nova publicação nas redes sociais, Chiquini retomou as críticas feitas a Moro por sua ausência na manifestação pró-anistia de Jair Bolsonaro (PL) e acrescentou novas acusações: omissão, silêncio e falta de postura combativa contra o Supremo Tribunal Federal (STF), em especial contra o ministro Alexandre de Moraes.

Chiquini eleva o tom

No texto, Chiquini diz que “quem abandona a luta no meio da batalha não pode posar de herói no fim da guerra” e lembra que Moro assinou uma moção em 2024, mas teria desaparecido do embate político desde então. Segundo ele, essa omissão teria ocorrido “enquanto o país afundava na tirania”.

“Se você faltar aos interesses do povo paranaense, tenha certeza que estarei aqui para cobrar”, escreveu Chiquini. “Mas, se meu vídeo contribuiu para despertar em você uma postura mais aguerrida, estaremos lado a lado nas trincheiras.”

O advogado ainda acusou Moro de referendar a nomeação de “figuras como Flávio Dino e Paulo Gonet” para cargos de peso, sem apresentar resistência. E deixou claro que, no seu entendimento, um parlamentar que se incomoda com a cobrança popular “deve reconsiderar sua opção pela vida pública”.

Lavajatismo acuado

O ataque expõe um racha estratégico dentro da extrema direita paranaense. Moro, símbolo da Lava Jato e ex-ministro de Bolsonaro, tenta se manter em um espaço de atuação institucional, evitando aderir integralmente às pautas mais radicais, como o impeachment imediato de ministros do STF ou a defesa ampla da anistia a réus do 8 de Janeiro.

Para o bolsonarismo mais inflamado, representado por figuras como Chiquini, essa postura é vista como “covardia” ou “conivência” com o que chamam de abusos da Corte. O embate revela também a disputa por protagonismo na oposição local, onde o eleitorado conservador é disputado voto a voto.

O que está por trás

Nos bastidores, aliados de Moro avaliam que os ataques de Chiquini fazem parte de um movimento de pressão para forçar o senador a se alinhar mais explicitamente ao discurso de Bolsonaro. Já entre os bolsonaristas, a leitura é de que Moro “quer colher frutos eleitorais sem se expor” nas batalhas mais polêmicas.

Com a proximidade das eleições de 2026, o racha tende a se aprofundar. No Paraná, a direita se vê dividida entre quem aposta na institucionalidade e quem prefere o enfrentamento aberto, e, pelo visto, o “fogo no parquinho” está longe de apagar.

Aqui está a íntegra da carta do advogado curitibano Jeffrey Chiquini para o senador Sergio Moro:

@SF_Moro, quem abandona a luta no meio da batalha não pode posar de herói no fim da guerra.

O senhor assinou uma moção em 2024, e depois? Silenciou, omitiu-se, desapareceu… Enquanto isso, o país afundava na tirania sem que o senhor usasse sua voz contra todos os arbítrios e ilegalidades cometidos contra milhares de inocentes.

Fico feliz que isso tenha mudado nos últimos dias e que minha postagem tenha contribuído para essa mudança. Como disse naquela publicação e reitero agora: acredito que o senhor pode, e deve, fazer muito mais. Mais entrevistas. Mais discursos. Mais denúncias públicas e perante a comunidade internacional.

Não houve na minha postagem nenhuma ofensa ou mentira. Houve apenas a cobrança de um cidadão e advogado paranaense que está na linha de frente, enfrentando diariamente as ilegalidades, os abusos de poder e o desrespeito à advocacia que têm sido praticados por Moraes; a cobrança de alguém que tem muita sede de justiça.

Minhas palavras foram um retrato fiel do sentimento de um povo desesperado e que quer ver mais coragem por parte de seus representantes, de um povo que se frustra ao ver seus representantes referendarem, sem resistência, a ascensão de figuras como Flávio Dino e Paulo Gonet Branco a cargos tão importantes, como o senhor referendou.

Quem se irrita com a cobrança popular talvez tenha esquecido para quem deve lealdade.

Quem se incomoda com a pressão do eleitorado deve reconsiderar sua opção pela vida pública.

Se você faltar aos interesses do povo paranaense, tenha certeza que estarei aqui para cobrar. Mas, se meu vídeo contribuiu para despertar em você uma postura mais aguerrida, estaremos lado a lado nas trincheiras.

Leia também no Blog do Esmael: Direita se engalfinha no Paraná e amplia o drama conservador para 2026; Novo-PR inicia desembarque do projeto Ratinho Júnior; ALEP acelera análise de cinco pedidos de cassação contra Renato Freitas