Início / brasil

Arilson Chiorato e Enio Verri vão coordenar campanha de Lula no Paraná

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já tem dois nomes definidos para comandar sua campanha no Paraná em 2026. O deputado estadual Arilson Chiorato (PT) e o diretor-geral brasileiro da Itaipu Binacional, Enio Verri (PT), serão os coordenadores políticos do projeto lulista no estado, com três missões centrais: ampliar a votação presidencial, eleger Gleisi Hoffmann (PT) ao Senado e aumentar as bancadas federal e estadual do campo progressista.

A definição coloca o Paraná no centro de uma disputa que não será apenas eleitoral. Será também ideológica, territorial e simbólica. O estado foi um dos palcos centrais da Lava Jato, abriga lideranças do bolsonarismo e terá uma eleição marcada pelo confronto entre soberania nacional, privatizações, políticas públicas e memória política recente.

A campanha oficial começa em 16 de agosto, quando a propaganda eleitoral passa a ser permitida nas ruas e na internet, conforme o calendário do Tribunal Superior Eleitoral. Até lá, a operação será de pré-campanha, organização partidária, articulação com prefeitos, montagem de chapas e disputa de narrativa.

Arilson Chiorato preside o PT-PR e a Federação Brasil da Esperança no estado, formada por PT, PV e PCdoB. Também é líder da oposição na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep). Sua entrada na coordenação reforça o eixo de enfrentamento direto ao bolsonarismo, ao lavajatismo e ao governo Ratinho Junior (PSD).

A trajetória de Arilson dentro do PT ganhou peso no período em que Lula ficou preso em Curitiba. Ele participou da reorganização partidária no estado, enfrentou a ofensiva contra a legenda e coordenou a campanha de Lula no Paraná em 2022. Agora, volta ao comando estadual em uma disputa com peso maior: Lula estará no exercício da Presidência, Gleisi disputará o Senado e a esquerda tentará ampliar presença na Câmara dos Deputados e na Alep.

Arilson afirma que a campanha no Paraná terá como eixo a defesa da soberania nacional e das empresas públicas. “A campanha de Lula no Paraná passa pela defesa da soberania nacional e também pela autonomia do estado. A gente vai mostrar ao eleitorado paranaense que defender as empresas do estado, a agricultura, a educação de qualidade, os investimentos em segurança, saúde e moradia é que fazem, de fato, um patriota de verdade e um paranaense. O Brasil e o Paraná não estão à venda”, disse.

O recado tem endereço político. No Paraná, o PT pretende explorar o desgaste das privatizações, a crítica à venda da Copel, os pedágios, a disputa pela Celepar, a defesa das estatais e o contraste entre investimentos federais e a agenda liberal do governo estadual.

Enio Verri entra na coordenação por outra porta: a da gestão federal, dos municípios e da entrega concreta. Diretor-geral brasileiro da Itaipu Binacional, ex-deputado federal e ex-dirigente estadual do PT, Verri tem trânsito entre prefeitos e lideranças regionais. Sua tarefa será transformar obras, programas sociais e investimentos federais em presença política nos municípios paranaenses.

A escolha de Enio também busca reduzir a distância entre Brasília e o interior do Paraná. A campanha quer mostrar que programas do governo Lula chegam ao estado independentemente da posição política do Palácio Iguaçu. A leitura petista é que moradia, energia, universidades, saúde, agricultura familiar e investimentos sociais precisam ser apresentados cidade por cidade, sem deixar que o governo estadual capture sozinho a agenda de obras e entregas.

“Nos últimos quatro anos, o presidente Lula tem investido muito em nosso estado, em nossas cidades. São muitos programas que levam casa, luz mais barata, investimentos sociais, universidades e saúde. Essas são realizações que queremos fazer chegar ao eleitorado com o compromisso de ampliar em um próximo governo Lula”, afirmou Enio Verri.

A dupla também terá de administrar uma equação interna. Além da campanha presidencial, o PT do Paraná trabalha para eleger Gleisi Hoffmann ao Senado. A candidatura de Gleisi é tratada no partido como prioridade nacional de Lula. Isso significa que a coordenação estadual terá de conciliar palanque presidencial, chapa majoritária, nominatas proporcionais e alianças regionais.

O desafio é grande porque o Paraná segue sendo terreno duro para o lulismo. O estado tem forte presença do agronegócio, de setores conservadores, no entanto, os petistas querem provar que podem trafegar por essa avenida, apesar do bolsonarismo religioso e do eleitorado lavajatista. Ao mesmo tempo, o governo Lula aposta em entregas federais, reorganização social, diálogo com prefeitos e contraponto às privatizações para reduzir a vantagem histórica da direita no estado.

A campanha também terá de enfrentar Sergio Moro (PL), Deltan Dallagnol (Novo), Filipe Barros (PL) e o campo novo-bolso-lavajatista, que tenta transformar o Paraná em trincheira nacional contra Lula. Nesse ponto, Arilson será a face do confronto político. Enio será a face da gestão e das entregas.

O movimento antecipa a disputa de 2026. Lula quer ampliar votos no Paraná, mas o PT quer algo além de melhorar desempenho presidencial. Quer transformar a eleição em reorganização de força: eleger Gleisi senadora, puxar deputados federais, ampliar estaduais e reconstruir presença territorial em um estado onde a direita tenta tratar o antipetismo como patrimônio eleitoral permanente.

Pelo calendário eleitoral, as convenções partidárias ocorrerão entre 20 de julho e 5 de agosto. A propaganda eleitoral começa em 16 de agosto. O horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão está previsto para começar em 28 de agosto.

Até o início oficial da campanha, Arilson Chiorato e Enio Verri terão a tarefa de coordenar a pré-campanha de Lula no Paraná, voltada à organização interna, à construção de alianças e à preparação das convenções partidárias. O embate político já existe, mas a campanha de rua e a propaganda eleitoral só entram no jogo após o prazo previsto no calendário eleitoral.

No Paraná, a campanha de Lula começa com dois coordenadores e uma missão política explícita: tirar o estado da zona de conforto da direita.

Leia também no Blog do Esmael.