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Câmara tenta votar Antifacção e disputa governo-direita explode

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), tenta votar nesta terça o PL Antifacção, mas o Blog do Esmael vai revelar por que o texto virou um campo minado entre o governo Lula e a direita, com quatro versões do relatório, recuos sucessivos e acusações de má técnica legislativa. A disputa contaminou a segurança pública, tensionou partidos e expôs o tabuleiro da eleição presidencial de 2026.

A tentativa de votar o projeto na semana passada fracassou, apesar de duas sessões dedicadas exclusivamente ao tema. O relator Guilherme Derrite, deputado do PP por São Paulo, oposicionista e aliado do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), já apresentou quatro pareceres. Nenhum deles alcançou consenso. As queixas vieram do Palácio do Planalto, governadores conservadores, PL, centrão e especialistas em segurança.

No Planalto, a avaliação é dura. Técnicos do Ministério da Justiça apontam brechas, improvisos e risco de favorecimento a faccionados. O governo vê problemas no financiamento da Polícia Federal e na nova tipificação penal criada por Derrite, que tenta substituir o conceito de organização criminosa por “organização criminosa ultraviolenta”. Para a equipe jurídica, a figura não elimina a confusão criada nos pareceres anteriores.

O texto também virou munição política. Bolsonaristas querem classificar facções como terroristas, expectativa rejeitada pela base governista e descartada do relatório. Governadores de direita pediram trinta dias extras de discussão. O PL tenta arrastar o debate para desgastar Lula e aparecer no centro da pauta da segurança.

A crise escalou nas redes após a divulgação de um jantar entre Derrite e os ex-presidentes da Câmara Arthur Lira (PP-AL) e Eduardo Cunha (Repulicanos-RJ), ambos do campo conservador. O senador Renan Calheiros (MDB-AL) reagiu dizendo que os “rabiscos ruins” do relator minam a autonomia da PF e blindam investigados, além de ironizar a ausência de Motta no encontro.

Derrite revisou o texto para atender parte das críticas. Incluiu a destinação de bens apreendidos ao FUNAPOL quando houver investigação federal, mas técnicos do governo defendem que o dinheiro deve ir ao Funad, fundo já estruturado para financiar ações contra o narcotráfico. Para o Planalto, o remendo não resolve.

Na articulação do PT, o líder Lindbergh Farias, deputado pelo Rio, abriu a guerra final. Disse publicamente que o relatório “não dá para aproveitar”, que Derrite criou “uma confusão” e que a Câmara deveria trocar o relator por um nome de consenso do centrão. Motta ouviu, mas não respondeu. O impasse permanece.

O que era para ser o principal projeto do governo Lula na área de segurança entrou num labirinto político. A votação marcada para esta terça virou teste de força entre Planalto, centrão e direita bolsonarista, todos de olho no tabuleiro de 2026 e no protagonismo de Tarcísio de Freitas.

A disputa pelo PL Antifacção passou a medir quem manda na pauta da Câmara, quem controla o discurso de segurança e quem consegue impor narrativa num ambiente pré-eleitoral cada vez mais polarizado.

O Blog do Esmael seguirá contando os bastidores de Brasília e como cada movimento no Congresso redesenha a sucessão presidencial.

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