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Alep acelera agenda enquanto viagem de Ratinho pressiona Sandro Alex

A Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) acelerou na segunda-feira (22) a votação de projetos de segurança pública, crédito produtivo e autorização para Ratinho Junior (PSD) deixar o país entre 26 de junho e 11 de julho; a maratona legislativa cria vitrine para o governo, mexe na sucessão estadual e oferece munição à disputa sobre Sandro Alex (PSD) nas eleições de 2026.

A Alep virou uma usina de agenda eleitoral para o Palácio Iguaçu. Em quatro sessões plenárias realizadas em 22 de junho, sendo três ordinárias e uma extraordinária, os deputados aprovaram matérias que falam diretamente a públicos estratégicos: policiais, bombeiros, servidores do sistema prisional, pequenos empresários, microempreendedores e contribuintes que acompanham o uso de dívida pública em ano pré-eleitoral.

O pacote de segurança pública passou por dois eixos. O Projeto de Lei 539/2026 cria 79 Funções Privativas Policiais de chefe de cadeia pública no Departamento de Polícia Penal do Paraná (Deppen). O texto limita essas funções a servidores efetivos e reorganiza a gestão das unidades prisionais, área sensível para qualquer governo que aposta no discurso de ordem e eficiência.

O Projeto de Lei 546/2026 fixa o efetivo da Polícia Militar do Paraná (PMPR) em 23.739 policiais militares e o do Corpo de Bombeiros Militar do Paraná (CBMPR) em 5.820 integrantes. A medida organiza postos e graduações, condiciona parte do quadro à disponibilidade orçamentária e reforça uma pauta com forte apelo junto ao eleitor conservador, ao funcionalismo da segurança e aos municípios que cobram presença policial.

A outra ponta do pacote é dinheiro. O Projeto de Lei 484/2026 segue para sanção e autoriza o governo estadual a contratar operação de crédito externo de até US$ 50 milhões junto ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), com garantia da União, para financiar o Projeto Paraná Empreendedor. A promessa oficial é ampliar a oferta de crédito para micro, pequenas e médias empresas, com linhas de microcrédito de até R$ 20 mil e ações voltadas ao empreendedorismo feminino.

Crédito público em ano eleitoral nunca é neutro. Pode virar política de desenvolvimento se tiver critério, transparência, controle social e prestação de contas. Também pode virar vitrine de governo se a liberação do dinheiro for embalada como favor político em vez de financiamento público com dívida, risco cambial e obrigação futura para o Estado.

A Alep também aprovou o Projeto de Lei 500/2026, que altera a lei da Agência de Fomento do Paraná. O texto eleva o capital social autorizado da Fomento Paraná para até R$ 6 bilhões e permite a entrada da Companhia de Habitação do Paraná (Cohapar) como acionista minoritária. A proposta avançou com 26 votos favoráveis, 13 contrários e duas abstenções, mas recebeu emenda e voltou à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

A autorização para Ratinho Junior se ausentar do país entre 26 de junho e 11 de julho entrou no mesmo roteiro legislativo. O projeto de decreto legislativo aprovado pela Alep não prova abandono político de Sandro Alex, mas abriu espaço para a narrativa de “Cristianização” do herdeiro governista, expressão usada na política brasileira quando uma candidatura formalmente apoiada começa a ser deixada sem entrega real pela própria base.

A viagem de Ratinho Junior ocorre num momento em que Sandro Alex precisa de presença, palanque, prefeitos, agenda e transferência de força do Palácio Iguaçu. A ausência física do governador não encerra a sucessão, mas entrega aos adversários uma pergunta simples: se o herdeiro é prioridade, por que o chefe do grupo sai de cena justamente quando a engrenagem eleitoral começa a exigir comando diário?

O quadro político é tenso e dramático no Paraná. É exatamente nesse momento que ocorrem as costuras partidárias, nas vésperas das convenções, previstas entre 20 de julho e 5 de agosto. Também é nesse período que pré-candidaturas somem ou se transformam em aliadas de outras mais fortes e amplas.

O calendário legislativo reforça a leitura política. A direção da Alep anunciou no início do ano a intenção de deslocar o recesso parlamentar para os últimos 15 dias de setembro, período decisivo da campanha eleitoral. Na prática, os deputados ganham fôlego institucional para acompanhar a reta final das campanhas, circular por bases municipais e ajustar alianças quando a eleição estiver mais quente.

A conta de água entrou no mesmo ambiente de disputa por vitrine. A Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados do Paraná (Agepar) decidiu destinar 100% dos cerca de R$ 4 bilhões do precatório da Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) à modicidade tarifária. A consequência será desconto de 25% sobre a tarifa mínima de água e esgoto por aproximadamente 30 meses, apesar da resistência da companhia.

Esse ponto mostra o conflito real do governo Ratinho Junior em 2026. O Palácio Iguaçu tem tarifa menor para anunciar, crédito público para exibir, pacote de segurança para vender e uma base legislativa capaz de acelerar votações. A oposição tem outro roteiro: cobrar planilha, dívida, critérios de crédito, efeito real na conta de água e a distância entre propaganda de sucessão e capacidade de transferência eleitoral.

A Alep não apenas votou projetos. Ela organizou uma sequência de sinais para o ano eleitoral: segurança para a direita, crédito para o pequeno negócio, desconto regulatório na água para o contribuinte e autorização de viagem para o governador que tenta comandar a própria sucessão. O pacote legislativo fortalece a máquina, mas também expõe a pergunta que interessa ao Paraná: Sandro Alex herdará o governo ou apenas a obrigação de defender o legado de Ratinho Junior sem o mesmo capital político?

O Blog do Esmael seguirá acompanhando a tramitação dos projetos, a aplicação do desconto da Sanepar, o uso do crédito do BID, o calendário da Alep e os movimentos de Ratinho Junior na sucessão estadual. Compartilhe esta matéria e acompanhe a cobertura sobre poder, dinheiro público e eleições no Paraná.

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