A agressão da Polícia Militar contra trabalhadores em greve na Grande Curitiba escancara um desvio grave de função do Estado. Em vez de “polícia para quem precisa”, a força foi usada contra operários que reivindicavam direitos, numa ação que contraria a Constituição e o próprio ideário liberal de liberdade de manifestação.
Na manhã desta quarta-feira, a PM interveio na porta da Brose do Brasil, em São José dos Pinhais, e agrediu Nelsão de Souza, dirigente metalúrgico conhecido como Nelsão da Força. Imagens mostram o líder sindical sendo jogado ao chão e imobilizado por estrangulamento, enquanto trabalhadores eram dispersados com gás de pimenta.
Truculência oficial e contradição política
A postura da PM ocorre sob o governo de Ratinho Júnior (PSD), que se apresenta como liberal. O liberalismo, no entanto, pressupõe proteção às liberdades civis, inclusive o direito de greve e de manifestação pacífica. Reprimir operários, estudantes, professores e movimentos de reivindicação não é liberalismo, é autoritarismo.
O Blog do Esmael reafirma seu posicionamento histórico: polícia existe para proteger quem precisa, não para agir como segurança privada de empresas nem para criminalizar a luta coletiva.
Comparação com o ICE de Trump
A violência policial no Paraná foi comparada por lideranças sindicais à atuação do ICE, a polícia migratória do governo Donald Trump, que recentemente esteve envolvida em ações letais durante protestos contra deportações. A analogia não é retórica: em ambos os casos, o Estado volta sua força contra civis que exercem direitos.
Nota do Sindicato e cobrança por providências
O Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba divulgou nota de repúdio à ação policial e às práticas antissindicais da empresa, afirmando que não há crime em lutar por direitos e exigindo providências das autoridades para garantir o direito constitucional de greve.
Parlamentares de oposição também anunciaram que cobrarão explicações do governo estadual sobre a conduta dos policiais e a ausência de ordem judicial que justificasse a intervenção.
Estado mínimo para direitos, máximo para repressão
Quando a PM é acionada para sufocar reivindicações trabalhistas, o Estado falha com a democracia. O Paraná não precisa de força bruta para manter a ordem, precisa de diálogo, mediação e respeito aos direitos fundamentais.
O Blog do Esmael seguirá acompanhando os desdobramentos e cobrando responsabilidades. A polícia deve proteger a sociedade, não intimidá-la.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




