O PL deve abrir mão de disputar a presidência da Câmara dos Deputados, atualmente ocupada por Hugo Motta, do Republicanos. A tendência, segundo apuração do Blog do Esmael, é que o partido formalize o apoio à reeleição de Motta em uma reunião marcada com a bancada eleita.
O plano original do PL previa eleger o presidente da Casa, com dois nomes em pauta: Altineu Cortes e Sóstenes Cavalcante. Essa estratégia, no entanto, foi traçada em um contexto diferente, quando Flávio Bolsonaro aparecia nas pesquisas como favorito, o que representava outra correlação de forças para o partido.
O PL reconhece que não tem força política para ocupar a presidência das duas casas simultaneamente. Diante disso, a prioridade passou a ser o Senado Federal, onde Rogério Marinho vislumbra a possibilidade de construir um arco de alianças com parte do Centrão.
Pedro Venceslau, da CNN Brasil, corrobora com a apuração. Segundo ele, três deputados federais, em conversas reservadas, confirmaram que a tendência é que o partido formalize o apoio a Hugo Motta e desista da disputa pela presidência da Câmara dos Deputados.
O temor do PL é reforçado por um episódio anterior que deixou marcas no partido. Quando Rogério Marinho decidiu disputar a presidência do Senado Federal contra Rodrigo Pacheco, o PL perdeu e ficou fora da mesa diretora, além de praticamente exilado das principais comissões do Senado Federal por cerca de dois anos. O partido só retomou protagonismo após apoiar Davi Alcolumbre em um segundo momento.
O cenário atual na Câmara dos Deputados é igualmente desfavorável para o PL. O Centrão se antecipou e construiu uma grande coalizão em torno de Hugo Motta, reunindo a maioria dos partidos. Mesmo contando com aproximadamente 120 deputados, o PL corre o risco de ficar isolado caso insista em lançar uma candidatura própria. “O temor do PL agora é que lançar uma candidatura serviria apenas para marcar posição”, afirmou Venceslau.
As consequências práticas do isolamento também pesam na decisão. Sem apoiar Hugo Motta, o PL ficaria no fim da fila para presidir comissões importantes, entre elas, a Comissão de Constituição e Justiça, que Nikolas Ferreira gostaria de presidir. Apesar de a bancada ter tamanho suficiente para pleitear o cargo pela proporcionalidade, o apoio ao presidente da Casa é condição determinante para garantir esse tipo de espaço.
Não há resistências significativas dentro da bancada em relação à proposta de desistência, e os dois pré-candidatos já aceitaram a dificuldade de enfrentar o Centrão.

Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.



