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Flávio Bolsonaro chama Moraes de “laranja podre” e fecha com Moro no Paraná

O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, transformou neste sábado (5) uma visita ao ex-assessor Filipe Martins, preso em Ponta Grossa, em um ato de ataque ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e de demonstração de unidade com Sergio Moro (PL) no Paraná.

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A cena política ganhou um componente que não estava na agenda original: Flávio, Moro e o deputado federal Filipe Barros (PL), candidato ao Senado, apareceram juntos na Cadeia Pública de Ponta Grossa. Depois da visita, Flávio declarou que as divergências que teve com Moro ficaram no passado e afirmou que o senador é o candidato do grupo ao governo do Paraná.

“Não há nada melhor do que o tempo para mostrar quem é inocente e quem não é. Então, hoje, o Sérgio Moro tem a convicção de que eu não fiz nada de errado”, afirmou Flávio.

Na sequência, o presidenciável reforçou o vínculo eleitoral com Moro.

“O Moro faz parte do nosso time. É o nosso candidato a governo aqui no Paraná, tenho certeza que vai ser um grande governador”, disse o filho zero um do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A declaração dá uma dimensão nacional à candidatura de Moro. O senador não aparece apenas como candidato do PL ao Palácio Iguaçu, mas como integrante declarado do projeto presidencial de Flávio no quinto maior colégio eleitoral do país.

Ataque a Moraes domina a visita

O outro eixo da passagem por Ponta Grossa foi Alexandre de Moraes.

Em entrevista após deixar a unidade prisional, Flávio classificou o ministro como “laranja podre” dentro do STF e afirmou que sua atuação não representa os demais integrantes da Corte.

“Porque hoje o Alexandre de Moraes é uma laranja podre dentro do Supremo Tribunal Federal”, afirmou Flávio.

O candidato também disse que pretende preservar o STF como instituição, mas separar a Corte da atuação individual de Moraes.

“A magistratura não é o Alexandre de Moraes. Essa não é a regra entre os magistrados, os juízes desse país. Essa não é a regra nem dentro do Supremo Tribunal Federal”, declarou.

Flávio associou as críticas à atuação de Moraes no processo envolvendo Filipe Martins e às recentes controvérsias relacionadas ao Banco Master. Também afirmou que o ministro teria utilizado o inquérito das fake news para perseguir adversários políticos. Essas afirmações são acusações políticas feitas pelo candidato e não devem ser tratadas como fatos comprovados.

Martins foi condenado pela Primeira Turma do STF a 21 anos de prisão por participação na trama golpista. Ele está preso em Ponta Grossa, e Moraes foi o relator do caso.

Flávio afirmou ainda que foi à cadeia para “dar um abraço em um amigo muito importante para nós” e contestou a existência da chamada minuta do golpe apresentada no processo contra Martins.

Flávio Bolsonaro reabilita Moro no palanque bolsonarista

O trecho politicamente mais relevante para a eleição paranaense, porém, foi a fala sobre Moro.

A relação entre os dois grupos tem um histórico de conflitos. Moro foi ministro da Justiça de Jair Bolsonaro, rompeu com o governo em 2020 e posteriormente fez críticas à família Bolsonaro. Em 2026, entretanto, Moro está filiado ao PL, disputa o governo do Paraná e apoia Flávio para a Presidência.

O próprio Moro já havia declarado que as divergências ficaram no passado e que diferenças anteriores não impedem a construção da aliança eleitoral. Em sabatina realizada em agosto, ele também foi questionado sobre possíveis conflitos com Flávio e respondeu que não faria prognóstico sobre um futuro governo.

A novidade de Ponta Grossa foi Flávio assumir publicamente essa reconciliação e apresentá-la como uma relação política consolidada.

Isso interessa diretamente à disputa pelo Palácio Iguaçu porque Moro passa a ter, ao menos no discurso do presidenciável, o respaldo explícito do candidato nacional do PL.

A imagem produzida em Ponta Grossa também envolve Filipe Barros, candidato ao Senado pelo partido. O deputado acompanhou Flávio e Moro na visita, formando uma composição que reproduz no Paraná a arquitetura eleitoral do PL: Flávio na corrida presidencial, Moro para o governo e Barros para o Senado.

O palanque que começa a tomar forma

A visita que inicialmente tinha como centro Filipe Martins terminou funcionando como uma demonstração política do palanque de Flávio no Paraná.

O presidenciável aproveitou a presença de Moro para reafirmar publicamente seu apoio ao candidato ao governo. Moro, por sua vez, apareceu ao lado de Flávio e Filipe Barros durante uma agenda marcada pela pauta que mobiliza o eleitorado bolsonarista: defesa de aliados presos, críticas ao STF e oposição a Alexandre de Moraes.

É uma combinação eleitoral com efeitos diferentes para cada candidatura.

Para Flávio, Moro oferece um palanque competitivo em um estado onde o senador lidera levantamentos recentes para o governo. Para Moro, a presença de Flávio ajuda a nacionalizar sua campanha e consolida sua posição dentro do campo bolsonarista. Para Barros, a exposição ao lado dos dois reforça a tentativa de transformar a eleição para o Senado em uma disputa vinculada diretamente ao projeto presidencial do PL.

O encontro durou cerca de uma hora e meia e contou também com outros candidatos do partido no Paraná.

O efeito político, portanto, vai além da visita à cadeia.

Flávio não apenas atacou Moraes em Ponta Grossa. Ele também apresentou Moro como integrante de seu “time” e candidato do grupo ao governo estadual.

Essa é a principal novidade eleitoral produzida pela agenda deste sábado.

A contradição que Moro terá de administrar

A reaproximação também cria um flanco para os adversários de Moro.

O senador construiu parte de sua trajetória política criticando Jair Bolsonaro e integrantes de sua família. Agora, disputa o governo pelo mesmo partido de Bolsonaro, apoia Flávio para a Presidência e recebe do próprio candidato presidencial uma declaração pública de confiança.

O contraste tende a ser explorado por adversários durante a campanha.

A resposta de Moro tem sido que divergências anteriores não impedem alianças no presente. Em julho, ao ser questionado novamente sobre seu histórico de críticas à família Bolsonaro, o senador sustentou que diferenças do passado não impedem a construção do futuro e afirmou considerar Flávio o nome com condições de derrotar o projeto do PT.

Em Ponta Grossa, Flávio acrescentou sua própria versão da reconciliação: segundo ele, o tempo teria demonstrado que não houve irregularidade de sua parte e levado Moro a essa convicção.

A fala transforma uma antiga divergência entre duas figuras da direita em argumento eleitoral para a atual campanha.

De visita a ato político

A agenda deste sábado, portanto, terminou maior do que começou.

Flávio foi a Ponta Grossa visitar Filipe Martins. Saiu da cadeia depois de atacar Moraes, defender a separação entre o ministro e o restante do STF e declarar que Moro faz parte de seu time.

Ao lado dos dois estava Filipe Barros, candidato ao Senado pelo PL.

A fotografia é simples, mas o significado eleitoral é direto: o candidato presidencial do PL, o candidato do partido ao governo do Paraná e um dos nomes da legenda para o Senado apareceram juntos no mesmo movimento político.

A visita a Filipe Martins virou, assim, uma demonstração pública de unidade do palanque de Flávio Bolsonaro no Paraná.

E Moro, que já foi adversário político do bolsonarismo, agora é apresentado pelo candidato presidencial como peça central desse palanque.

Leia também no Blog do Esmael: a disputa pelo governo do Paraná, os movimentos de Sergio Moro e a corrida pelas duas vagas ao Senado.

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