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Flávio Bolsonaro (PL-RJ) trocou o comando de sua comunicação eleitoral nesta quinta-feira, 30 de julho, cerca de dois meses depois de oficializar Eduardo Fischer e Alexandre Oltramari na equipe. A assessoria informou que os dois profissionais deixaram a campanha e que Duda Lima foi convidado para assumir a área, mas não anunciou que o publicitário já tenha aceitado ou tomado posse da função.
A mudança ocorre enquanto Flávio Bolsonaro tenta fechar a composição de sua chapa presidencial. Pouco depois do anúncio sobre a comunicação, o Poder360 publicou que a senadora Tereza Cristina (PP-MS) passou a admitir, perante aliados e interlocutores, a possibilidade de disputar a vice. A informação não equivale a convite aceito, anúncio partidário ou definição da chapa.
As duas movimentações sugerem uma tentativa de reorganizar a campanha depois da convenção que confirmou Flávio Bolsonaro para a disputa presidencial, mas têm pesos factuais diferentes. A saída dos marqueteiros e o convite a Duda Lima foram comunicados pela assessoria. A disposição atribuída a Tereza Cristina permanece no terreno das negociações conduzidas pelo Progressistas (PP).
Duda Lima recebe convite após saída de Fischer e Oltramari
Segundo a reportagem de Leonardo Gimenes, a equipe de Flávio Bolsonaro divulgou uma nota para agradecer o trabalho de Eduardo Fischer e Alexandre Oltramari. O coordenador da campanha, senador Rogério Marinho (PL-RN), afirmou que as contribuições dos dois profissionais foram importantes na etapa encerrada.
“Duda Lima foi convidado para comandar a área de comunicação da campanha.”
A escolha do verbo delimita o estágio da mudança. Duda Lima recebeu um convite, mas a nota divulgada em 30 de julho não informa se houve aceitação formal, assinatura de contrato ou início efetivo do trabalho. Até que exista nova confirmação, não é correto apresentá-lo como chefe já empossado da comunicação.
Duda Lima comandou a comunicação da campanha de Jair Bolsonaro nas eleições presidenciais de 2022. Também esteve à frente da campanha que reelegeu Ricardo Nunes (MDB) à Prefeitura de São Paulo em 2024, conforme registro anterior do Bog do Esmael. A experiência liga o publicitário ao núcleo bolsonarista e a uma campanha municipal vitoriosa, mas não permite antecipar qual estratégia seria adotada em 2026.
Fischer e Oltramari haviam sido oficializados pelo PL em 25 de maio. Fischer ficaria responsável pelas diretrizes estratégicas e pelo posicionamento, enquanto Oltramari coordenaria a comunicação e o marketing. A saída anunciada em 30 de julho encerra esse arranjo pouco mais de dois meses depois de sua formalização.
A rotatividade mostra que o desenho da comunicação ainda não estava consolidado. Uma mudança no comando pode alterar prioridades, linguagem, publicidade e organização interna, mas o conteúdo da nova linha somente poderá ser avaliado depois da eventual aceitação de Duda Lima e da apresentação pública de suas primeiras decisões.
Tereza Cristina avalia vice, mas decisão depende do PP
A segunda frente aberta em 30 de julho envolve a senadora Tereza Cristina. Segundo o Poder360, ela teria revisto a resistência anterior e passado a admitir a hipótese de integrar a chapa de Flávio Bolsonaro. O relato foi atribuído a aliados políticos e interlocutores do mercado financeiro; não houve declaração pública reproduzida da senadora confirmando a decisão.
O próprio relato estabelece uma condição política: a composição dependeria do presidente nacional do PP, Ciro Nogueira (PP-PI), responsável pela condução das negociações partidárias. Na semana anterior, Ciro havia afirmado que o PP ficaria neutro na disputa presidencial. A entrada de Tereza Cristina, portanto, exigiria uma mudança na posição comunicada pelo dirigente.
A resistência de Ciro Nogueira impede que a movimentação seja tratada como aliança fechada. A preferência de uma liderança por participar da chapa não substitui a decisão do partido, nem resolve os interesses estaduais, eleitorais e congressuais envolvidos numa composição presidencial. Também não há anúncio conjunto do PL, do PP, de Flávio Bolsonaro ou de Tereza Cristina.
O PL confirmou Flávio Bolsonaro em convenção realizada em 25 de julho, mas deixou a vaga de vice em aberto e não incorporou formalmente o PP à chapa. A lacuna mantém o impasse com o Centrão como uma das questões centrais da campanha.
Convenção e registro eleitoral são etapas diferentes. De acordo com o calendário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), os partidos podem realizar convenções até 5 de agosto. Os pedidos de registro das candidaturas devem ser apresentados à Justiça Eleitoral até 15 de agosto. Uma negociação sobre a vice, mesmo avançada, não equivale a candidatura registrada.
A troca na comunicação e a busca por uma vice capaz de ampliar a interlocução política podem marcar o início de uma reorganização. Ainda não existe, porém, base para afirmar que uma nova fase esteja consolidada. Duda Lima permanece convidado, Tereza Cristina não foi anunciada e Ciro Nogueira ainda controla uma decisão partidária que pode manter ou retirar o PP da composição.
Acompanhe no Blog do Esmael a cobertura das eleições presidenciais de 2026.
Nota de transparência: o Blog do Esmael está aberto às manifestações do PP, do PL, de Tereza Cristina e dos profissionais citados. Respostas ou mudanças materiais nas negociações serão incorporadas ao texto com nota de atualização datada.

Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




