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Moro faz oposição “Nutella” a Ratinho, diz Chiorato

O deputado Delegado Jacovós, líder do PL, tentou vender o senador Sergio Moro (PL) como oposição ao governador Ratinho Junior (PSD) na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), mas ouviu do deputado Arilson Chiorato (PT) que o bolsonarismo faz oposição “Nutella”, não oposição raiz.

O Ki-Suco ferveu na tarde desta terça-feira (28).

A briga começou quando Jacovós reivindicou para o PL o papel de principal oposição ao governo Ratinho, hoje exercido formalmente por Arilson na Alep. O petista é registrado pela própria Assembleia como líder da Bancada de Oposição.

A disputa não é só por microfone.

É por narrativa.

Moro lidera a corrida ao Palácio Iguaçu nos cenários da pesquisa Genial/Quaest divulgada na segunda-feira (27).

Por isso, o PL tenta reposicionar Moro.

O ex-juiz precisa se apresentar como adversário de Ratinho para não carregar nas costas o desgaste do governo estadual, sobretudo na guerra do pedágio, na segurança pública, na Copel e na disputa pela sucessão.

Arilson explorou a contradição.

Segundo o petista, os apoiadores de Moro não podem se declarar oposição “raiz” depois de terem convivido com a base governista. Para ele, o PL tenta trocar de camisa às vésperas da eleição.

A frase “oposição Nutella” resumiu o ataque.

No plenário, Chiorato também disse que o PT vem sendo atacado porque o presidente Lula avança no Paraná. A leitura do petista é que o bolsonarismo tenta transformar a Alep em trincheira contra Lula e em vitrine para Moro.

Jacovós respondeu mirando Lula.

O líder do PL afirmou que tanto Ratinho quanto a bancada petista temem a vitória de Moro no Paraná. A fala tentou colocar o governador e o PT no mesmo lado da disputa, o campo dos que querem impedir o ex-juiz de chegar ao Palácio Iguaçu.

Arilson devolveu com Lava Jato, Petrobras, Senado e São Paulo.

O petista afirmou que Moro “fez conluio com Deltan para combinar sentença”, acusação política ligada ao debate sobre a atuação do ex-juiz na Lava Jato.

Chiorato também acusou Moro de tentar fazer “esquema com a Petrobras”, de não receber prefeitos no Senado e de não discutir o Paraná.

A pancada mais forte veio em seguida.

“Moro tentou ser candidato pelo estado de São Paulo”, disse o líder oposicionista, ao reforçar que o Paraná não pode ser tratado como segunda opção.

Esse ponto tem lastro histórico.

Em 2022, o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) barrou a transferência do domicílio eleitoral de Moro para São Paulo. Depois disso, ele disputou o Senado pelo Paraná. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) registrou esse histórico ao manter a candidatura de Moro ao Senado pelo Paraná naquele ano.

A mesma cobrança apareceu no aparte do deputado Requião Filho (PDT) durante fala do deputado Luiz Claudio Romanelli (PSD).

Requião Filho perguntou por que o Paraná teria ficado como “segunda opção” para Moro.

Romanelli respondeu com ironia. Disse que, nesse caso, “a culpa é do PT”, porque foi o PT de São Paulo que questionou a transferência eleitoral de Moro.

A ironia atingiu os dois lados.

Lembrou que o PT ajudou a impedir a aventura paulista de Moro. E lembrou que Moro só voltou ao Paraná depois de ver São Paulo fechar a porta.

Arilson aproveitou a deixa para defender Requião Filho como pré-candidato “realmente paranaense” ao governo do estado.

Segundo o petista, Requião Filho tem “mãos limpas” e representa uma candidatura enraizada no Paraná, ao contrário de Moro, que teria tentado outro estado antes de disputar mandato por aqui.

A sessão revelou o conflito principal da eleição estadual.

Ratinho quer fazer seu sucessor.

Moro quer ser visto como alternativa a Ratinho.

O PT quer manter o posto de oposição real ao governo.

Requião Filho quer impedir que o eleitorado anti-Ratinho seja capturado pelo bolsonarismo.

O PL, por sua vez, tenta fazer uma travessia difícil: sair da sombra do governo Ratinho e pousar no colo da oposição.

É aí que a expressão “oposição Nutella” machuca.

Ela acusa o PL de querer colher os frutos do desgaste de Ratinho sem ter enfrentado o governo quando isso custava caro.

A briga também mostra que Moro entrou no alvo antes mesmo da campanha oficial.

Se o ex-juiz lidera as pesquisas, os adversários vão bater onde dói: Lava Jato, Banestado, relação com Deltan Dallagnol, passagem pelo governo Bolsonaro, tentativa frustrada de São Paulo e baixa conexão com prefeitos e temas locais.

O plenário da Alep virou ensaio da eleição de 2026.

Jacovós tentou transformar Moro em oposição.

Arilson respondeu que oposição ao governo Ratinho já existe, tem lado, tem histórico e não nasceu depois da pesquisa.

A disputa agora é simples para o eleitor: Moro quer se vender como adversário de Ratinho, mas PT e PDT vão lembrar, todos os dias, que o PL não passou os últimos anos do lado de fora da porta do Palácio Iguaçu.

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