O tema da redação do Enem 2025, “Perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira”, coloca no centro do debate a responsabilidade do país com sua população idosa, que cresce em ritmo acelerado e exige políticas públicas, combate ao preconceito etário e garantia de dignidade a quem dedicou a vida ao trabalho e à família.
O exame obriga milhões de jovens a refletir sobre um Brasil que envelhece sem a mesma velocidade na construção de direitos. A transição demográfica está em curso, mas o SUS segue subfinanciado, a previdência foi alvo de dureza fiscal e a rede de cuidados ainda é insuficiente diante da realidade de famílias sobrecarregadas e serviços públicos limitados.
O tema chega em momento em que estudos oficiais apontam aumento da expectativa de vida e projeções que colocam o Brasil como um dos países mais envelhecidos da América Latina nas próximas décadas. Ao mesmo tempo, cresce o etarismo em contratações, no atendimento, na tecnologia e até nas relações familiares. O fenômeno demonstra que não basta viver mais, é preciso viver com respeito.
O Enem ao escolher esse recorte sinaliza que longevidade não é apenas um fenômeno estatístico, mas uma disputa civilizatória: incluir ou descartar quem envelhece. E isso passa por ampliar cuidados no SUS, fortalecer a atenção primária, criar redes de apoio domiciliar, garantir acessibilidade urbana, transporte seguro, moradia adaptada, cultura, lazer e proteção contra violência patrimonial e psicológica.
Nos bastidores do debate acadêmico, especialistas defendem que o envelhecimento é conquista da democracia e da ciência, não problema fiscal. É aí que a redação exige dos candidatos maturidade social: propor soluções que não segreguem e que respeitem a Lei da Pessoa Idosa, a Constituição e os pilares do Estado de bem-estar.
No entanto além de reivindicar o direito de envelhecer com dignidade, cabe à sociedade assegurar que o Orçamento da União priorize a coletividade e não apenas uma minoria de oligarcas do sistema financeiro, em aliança histórica com setores da velha mídia.
Hoje, mais de 70% dos gastos federais são direcionados para juros e amortizações da dívida pública, sem auditoria cidadã. A redução estrutural da taxa de juros, ainda entre as mais altas do mundo, é passo essencial para liberar recursos destinados à saúde, assistência, educação e cuidado da população idosa.
Na educação, a aposta é formação continuada e inclusão digital para idosos; na economia, mecanismos de reinserção profissional e empreendedorismo sênior; na cultura, valorização da memória social; e, na política, compromisso com políticas públicas estáveis, capazes de atravessar governos sem retrocessos.
O MEC acerta ao convocar um país jovem na carteira e grisalho na vida real a olhar para si mesmo com responsabilidade histórica. Quem escreve, aprende; quem aprende, transforma. Que o Brasil trate seu futuro com a mesma seriedade com que seus jovens encaram esta prova.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




