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O pastor Silas Malafaia convoca, pelas redes, apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para ocupar as ruas no feriado da Independência. Do outro lado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aposta no lema “Brasil é dos brasileiros” para mobilizar militantes em defesa da democracia. O 7 de Setembro, além de ser data cívica, se converteu em disputa de narrativas políticas.
Malafaia, Bolsonaro e Tarcísio
Malafaia atua como porta-voz da resistência bolsonarista, em meio ao julgamento de Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF), que se estenderá até 12 de setembro. O pastor conta com a simpatia de Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), governador paulista, que articula com o Centrão no Congresso uma saída de anistia para o ex-presidente. Em troca, Bolsonaro declararia apoio a Tarcísio na corrida presidencial de 2026.
No Supremo, essa movimentação de Tarcísio tem incomodado muito os ministros.
A aposta bolsonarista é transformar o 7 de Setembro em palco de pressão institucional e demonstração de força popular, repetindo o roteiro dos atos de 2021 e 2022, mas com risco maior diante do cerco judicial.
O pastor Silas Malafaia, hoje alinhado à defesa de Jair Bolsonaro, tem feito movimentações que o colocam como liderança política de peso no bolsonarismo. Caso Tarcísio de Freitas, principal nome cogitado pelo campo bolsonarista, titubeie em assumir a candidatura presidencial de 2026, Malafaia pode ser alçado como candidato “de confronto” contra Lula.
Lula e o “Brasil dos brasileiros”
Lula, por sua vez, quer reposicionar a data. O governo federal programou o desfile cívico-militar em Brasília com três eixos: Brasil dos Brasileiros, COP30 e Novo PAC, e Brasil do Futuro. A ideia é reforçar soberania e democracia, defesa do Pix, inclusive como resposta ao tarifaço imposto por Donald Trump, adversário declarado. O petista associa os ataques externos à ameaça bolsonarista, hoje encarnada em Trump e seus aliados.
As projeções de luz no Congresso e no Museu da República, já em exibição, funcionam como prelúdio da narrativa governista: união nacional, Estado democrático e independência econômica.
Segurança no desfile oficial
A Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal restringiu objetos na Esplanada: latas, garrafas de vidro, fogos, sprays e drones estão proibidos. Permitidos apenas lanches, frutas, bonés, chapéus e água em embalagens plásticas. O metrô terá operação desde as 5h30 e transporte público gratuito no domingo.
O desfile militar, previsto para 9h, terá participação de tropas das Forças Armadas, Esquadrilha da Fumaça e presença de Lula. A programação será transmitida pela EBC, em rádio e TV, a partir das 8h30.
Teste de forças
O 7 de Setembro de 2025 vai muito além da solenidade. É um ensaio eleitoral: Malafaia busca provar que Bolsonaro ainda mobiliza massas, enquanto Lula mede sua capacidade de reaglutinar apoiadores no campo democrático. A disputa é também simbólica: Pátria como palco de nacionalismo conservador ou como trincheira de soberania popular.
Caso seja ungido como nome do bolsonarismo para 2026, Malafaia seria uma candidatura de alto risco democrático: mistura fé e política em grau máximo e desloca o debate público para pautas morais e religiosas, em vez de socioeconômicas.
Dito isso, a democracia brasileira será mais forte se a data não for sequestrada por um único projeto político. As ruas devem celebrar a independência sem cair no abismo da intolerância.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




