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Governador de São Paulo e centrão articulam anistia para salvar Bolsonaro e abrir caminho a 2026
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), entrou em modo desespero político: trabalha nos bastidores do Congresso para aprovar uma anistia que beneficie Jair Bolsonaro (PL), justamente no momento em que o ex-presidente enfrenta julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe de Estado. A pena máxima para Bolsonaro pode chegar a 43 anos de prisão.
Nesta quarta-feira (3), a Corte Máxima entra no segundo dia de julgamento do “Núcleo 1” da tentativa de golpe de Estado. A previsão é que a defesa de Bolsonaro se manifeste pela manhã de hoje. O ex-presidente é representado pelo advogado criminalista Celso Vilardi. O Blog do Esmael transmite ao vivo a sessão do STF.
Estratégia de sobrevivência política
Tarcísio não age apenas por lealdade. O cálculo eleitoral é frio: precisa de Bolsonaro como avalista de sua candidatura ao Palácio do Planalto em 2026. Sem o apoio do ex-presidente, o governador paulista teria dificuldade em herdar o eleitorado bolsonarista mais radical.
A prova desse empenho foi a declaração de Tarcísio em evento público: disse não confiar na Justiça e prometeu conceder indulto a Bolsonaro no primeiro dia de governo, caso seja eleito presidente.
Bolsonaro, porém, não se contenta com a promessa futura. Pressiona para receber o perdão ainda no Congresso, antes de declarar apoio oficial ao pupilo paulista.
Bastidores no Congresso e no STF
A ofensiva pela anistia ganhou tração com a mobilização do centrão. Líderes de PP, União Brasil, PL e Republicanos estimam já ter cerca de 300 votos favoráveis na Câmara. O presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), até então resistente, passou a preparar o terreno para a votação.
O projeto ainda não está fechado, mas a lógica é clara: livrar Bolsonaro da prisão após eventual condenação, sem mexer na inelegibilidade imposta pela Justiça Eleitoral. Para aliados, isso abre caminho para Tarcísio disputar 2026 sem concorrência interna.
No entanto, a medida pode esbarrar no STF. Juristas alertam para o risco de inconstitucionalidade. Por isso, interlocutores do centrão buscam diálogo com ministros da Corte, numa tentativa de “blindar” o texto de questionamentos futuros.
Resistência e alerta da oposição
O líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (PT-RJ), classificou a iniciativa como erro histórico. Segundo ele, Tarcísio “matou no peito” o projeto para consolidar sua candidatura, mas expõe o Congresso a um embate institucional com o Supremo.
A oposição sustenta que a anistia seria uma tentativa de reescrever os crimes de 8 de janeiro de 2023 e de perdoar articulações golpistas que atentaram contra a democracia.
Modo desespero
O desespero de Tarcísio revela que, sem Bolsonaro como fiador, sua viabilidade presidencial fica comprometida. Ao apostar tudo na anistia, o governador joga não apenas sua sorte, mas também a estabilidade institucional do país. Se o Congresso ceder à chantagem política, o recado será de impunidade para ataques à democracia.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




