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Nesta terça-feira (5/8), os bolsonaristas radicais deram um passo simbólico e estratégico: ocuparam as cadeiras da Mesa Diretora no Senado, e prometem repetir a ação na Câmara, como forma de pressionar por anistia ampla e irrestrita, impeachment de Alexandre de Moraes e o fim do foro privilegiado.
“Estamos em estado de exceção”
O movimento começou no plenário do Senado, com senadoras e senadores como Damares Alves (Republicanos‑DF), Magno Malta (PL‑ES) e Eduardo Girão (Novo‑CE). Em coletiva, reivindicaram “resposta imediata” do Congresso Nacional à prisão domiciliar de Jair Bolsonaro (PL), decretada pelo ministro do STF Alexandre de Moraes na segunda-feira (4).
Na Câmara, o líder Sóstenes Cavalcante (PL‑RJ) assumiu o discurso oficial: “vamos entrar em obstrução total”. Ele avisou que todos os projetos ficarão parados enquanto o presidente Hugo Motta (Republicanos-PB) estiver ausente, e sem resposta ao pacote da oposição.
O “Pacote da Paz” radical
A pauta radical da oposição foi batizada de “pacote da paz”, mas trata-se de uma pressão dura: anistia aos implicados pelo 8 de janeiro, impeachment de Moraes e extinção do foro privilegiado. Segundo Flávio Bolsonaro (PL-RJ), “a solução está no Congresso”.
O senador Rogério Marinho (PL-RN) foi além: acusou o Supremo de abrir o “ovo da serpente” ao conduzir inquéritos sigilosos. Cobrou Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) a agir com “estatura” para pautar impeachment e reforçou que a obstrução é uma medida de exceção política.
Alcolumbre e Motta na defensiva
Apesar da pressão, os presidentes do Senado e da Câmara se mantêm no silêncio e resistem ao movimento. Embora tenham declarado que não aceitarão interferências externas nos poderes, evitam sinalizar qualquer concessão.
Nos bastidores, cresce o mal-estar: o próprio Flávio Bolsonaro chegou a insinuar sanções futuras contra Alcolumbre, numa postura que mistura intimidação institucional e show estratégico.
O Brasil já viveu essa música antes
Movimentos simbólicos como a ocupação de Mesa Diretora e a obstrução total podem ganhar manchetes e angariar apoio nas bolhas. Mas o caminho de volta à normalidade democrática, à frente, não aos retrovisores, passa pela negociação institucional, não por manipulação de símbolos.
Se o PL for bem-sucedido em transformar o Congresso em terreno de choque político sistêmico, o país sofrerá outro golpe: não mais contra uma ou outra figura, mas contra o estado de direito. A democracia não se reconstrói com mesas ocupadas: precisa de diálogo, respeito aos processos e maturidade para pacificar sem anistiar autocratas.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




