O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) iniciou uma ofensiva nas redes sociais neste fim de semana para estimular o consumo de produtos feitos no Brasil. A campanha, em tom nacionalista, surge como resposta direta ao tarifaço de 50% imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre produtos brasileiros, medida interpretada pelo Planalto como retaliação política e ataque à soberania econômica do país.
“Mais do que nunca, é hora de escolher o Brasil”, afirmou Lula em um dos cards publicados nas redes. A campanha presidencial exalta políticas públicas, inovações nacionais e símbolos de soberania como o SUS, a vacina brasileira, a Embraer, o sistema de urnas eletrônicas, a Farmácia Popular e o programa Pé-de-Meia.
A iniciativa ecoa o editorial publicado na sexta-feira (11) pelo Blog do Esmael, que antecipou o movimento ao defender o boicote a produtos dos EUA como resposta concreta ao tarifaço. “Boicotar é resistir. E resistir é vencer”, dizia o texto, citando o exemplo dos canadenses, que há meses encabeçam uma campanha similar contra produtos americanos.
Lula lidera campanha de boicote
Em tom de orgulho e provocação, Lula publicou mais um post exaltando conquistas do país: “Mais do que nunca, é hora de escolher o Brasil! 🇧🇷🇧🇷🇧🇷”.
Na publicação, Lula ampliou o escopo da campanha ao incluir o biocombustível e até mesmo o cachorro caramelo como símbolos da brasilidade. A peça reforça a defesa do SUS, da urna eletrônica e da ciência nacional: “É nosso o SUS, a urna eletrônica, o biocombustível e aquele caramelo que não tem dono, é de todo o Brasil!”
O presidente completou com um recado direto àqueles que duvidam da capacidade nacional: “São do nosso país políticas públicas que inspiram o mundo, transformam vidas — e ciência que salva. 💚 Soberania também é cuidar do que é nosso. E ninguém faz isso como o Brasil. 🇧🇷✨”.
Cards da campanha exaltam conquistas nacionais
Lula tem utilizado uma linguagem direta e simbólica para marcar posição e dialogar com o sentimento de pertencimento dos brasileiros. Em uma série de publicações, ele confrontou, de forma indireta mas incisiva, tanto Donald Trump quanto o bolsonarismo. Exemplos:
- “SUS, gratuito, universal e 100% nosso. Vacina no braço e orgulho no peito.”
- “Embraer. Santos Dumont. Tem gente que discute a história. A gente escreve voando.”
- “Farmácia Popular. Em um mundo onde saúde é mercadoria, no Brasil remédio é de graça.”
- “Soberania também se faz no toque da urna, rápida, segura e brasileira.”
- “ICMbio, Ibama, Ministério do Meio Ambiente. Enquanto alguns usam de mascote, a gente protege capivaras e florestas de verdade.”
Além das referências à ciência e à cultura nacional, o presidente destacou o papel da Embrapa, da ANCINE e dos programas educacionais do governo federal como símbolos de uma política de desenvolvimento independente, com tempero brasileiro.
Resistência ao tarifaço ganha apoio nas redes e ecoa no Congresso
Nos bastidores do Planalto, a campanha “Escolha o Brasil” também cumpre a função de consolidar a narrativa do governo frente à ofensiva comercial de Trump, que coincidiu com articulações da extrema-direita global. Auxiliares do presidente avaliam que a medida dos EUA, a maior taxação contra o Brasil em décadas, foi impulsionada por Jair Bolsonaro e seu filho Eduardo, que está em Washington em busca de apoio eleitoral para 2026 e evitar a prisão de seu pai em eventual condenação pela tentativa de golpe de Estado.
Parlamentares aliados de Lula já discutem medidas de reciprocidade. Entre as propostas estão a revisão de isenções fiscais concedidas a multinacionais americanas, incentivo à indústria nacional e o fortalecimento de acordos comerciais com países não alinhados aos EUA. Há também apoio para o desenvolvimento de um aplicativo brasileiro capaz de identificar a origem dos produtos via código de barras, nos moldes do utilizado no Canadá.
“Escolher o Brasil” vira bandeira contra o entreguismo
Com o slogan “Escolha o Brasil”, o governo busca transformar o ato de consumir em gesto de afirmação política. Ao estimular o boicote silencioso a marcas americanas, Lula aposta no empoderamento do consumidor como instrumento de resistência à política hostil de Trump, e, por tabela, à agenda entreguista defendida por seus adversários internos.
Num cenário de disputa cada vez mais simbólica, a estratégia mira também nas eleições de 2026. O presidente explora as contradições da direita ao colocar a soberania nacional e o orgulho brasileiro no centro do debate, enquanto seus opositores hesitam entre o alinhamento a Washington e a defesa dos interesses do país.
Se Trump aposta no ataque, Lula responde com identidade. E transforma consumo em cidadania.
Aqui estão os cards publicados por Lula:










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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




