O tarifaço de 50% imposto por Donald Trump aos produtos brasileiros é uma agressão direta à soberania econômica do Brasil, e exige resposta à altura. Não basta indignação. É hora de ação concreta. É hora de boicotar produtos dos Estados Unidos.
A medida unilateral do presidente americano representa não apenas um revide comercial injusto, mas um ataque orquestrado contra o Brasil, que coincide, não por acaso, com a ofensiva da extrema-direita global e os apelos de Jair Bolsonaro e seu filho Eduardo, que foram implorar ajuda a Trump em Washington.
Mas há saída. E ela está nas mãos do povo brasileiro, literalmente.
Desde abril, os canadenses vêm promovendo uma contundente campanha de boicote a tudo que venha dos EUA: carros, refrigerantes, redes de fast food, turismo. Um aplicativo popular permite escanear o código de barras de qualquer produto e identificar, na hora, a origem americana. Resultado: prateleiras cheias de produtos dos EUA encalhados nos supermercados de Quebec, Toronto e Vancouver.
O Brasil precisa seguir o mesmo caminho. Boicotar é resistir. É pressionar com o bolso, onde mais dói para os interesses imperialistas.
Não se trata de xenofobia, mas de soberania. Nenhum país pode aceitar calado uma retaliação tarifária como essa, ainda mais vinda de um governo que flerta com a ruptura democrática e instrumentaliza a política externa como arma eleitoral.
O boicote aos produtos dos EUA é uma forma legítima, pacífica e poderosa de responder ao assalto comercial liderado por Trump. A população pode escolher marcas nacionais e de países aliados, recusar importados dos EUA e evitar alimentar uma economia que, neste momento, trabalha contra nós.
O Congresso brasileiro também precisa agir. É hora de rever isenções e privilégios concedidos a multinacionais americanas. É hora de fortalecer nossa indústria, ampliar parcerias com outras nações e desenvolver ferramentas tecnológicas, como o app canadense, que empoderem o consumidor brasileiro.
Enquanto Trump mantiver a sobretaxa de 50% contra o Brasil, cada centavo gasto em produtos americanos será um apoio involuntário a uma política hostil.
É tempo de fazer do boicote uma bandeira de cidadania e de afirmação nacional. Como disse um comerciante canadense em reportagem do Le Devoir: “Não compramos mais deles porque eles nos tratam como inimigos. E inimigo não se alimenta.”
Que o Brasil aprenda com o Canadá. E que nossa resposta seja firme, consciente e coletiva. Boicotar é resistir. E resistir é vencer.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




