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A Polícia Federal prendeu nesta sexta-feira (16), em Santa Cruz de la Sierra, Bolívia, o brasileiro Marcos Roberto de Almeida, conhecido como Tuta, apontado como o substituto de Marcola no comando do Primeiro Comando da Capital (PCC). A captura foi feita em ação conjunta com a polícia boliviana, após o criminoso tentar renovar um documento de identidade com nome falso. Seu nome constava na Lista Vermelha da Interpol.
Segundo investigações do Ministério Público de São Paulo (MPSP), Tuta era uma das figuras mais estratégicas da facção após o isolamento de Marcola em presídios federais. Ele acumulou decisões operacionais e financeiras da organização criminosa, além de articular atentados e o frustrado plano de resgate de Marcola em 2019.
Seis nomes, um só líder: quem é Tuta
Conhecido por pelo menos seis codinomes — Tá bem, Boy, Gringo, Angola, Africano e Marquinhos —, Tuta foi condenado no Brasil a mais de 12 anos por lavagem de dinheiro e organização criminosa. Em liberdade desde 2014, por progressão de pena, voltou a liderar células do PCC e articulou operações internacionais com “laranjas” e doleiros na Bolívia, no Paraguai e até na África.
Seu histórico inclui prisão em 2006, quando tentou subornar policiais da Rota com R$ 50 mil. Foi apontado como o “novo Marcola” pelo promotor Lincoln Gakiya, referência nacional no combate ao PCC:
“Com a remoção do Marcola, ele foi nominado para ser o novo número 1. Velho conhecido nosso”, disse.
A estrutura oculta do PCC e o papel de Tuta
Tuta atuava na Sintonia Final da Rua, comando externo da facção, segundo o MP-SP. Utilizava empresas, imóveis e até um falso cargo diplomático — como adido do consulado de Moçambique — para movimentar milhões de reais oriundos do tráfico e extorsões.
Planilhas apreendidas revelam que o PCC movimentava até R$ 100 milhões por ano com esses esquemas. A Operação Sharks, iniciada em 2020, já havia mirado seu círculo financeiro e capturado dois operadores diretos. Em 2023, nova fase tentou desarticular seu braço logístico.
Prisão e extradição: o que acontece agora
Tuta segue sob custódia da Fuerza Especial de Lucha contra el Crimen (FELCC), na Bolívia, e pode ser extraditado a qualquer momento. A PF confirmou que ele usava identidade falsa e será julgado por falsidade ideológica e uso de documentos irregulares.
Além da extradição, ele pode responder por crimes que incluem:
- Organização criminosa armada
- Tráfico internacional de drogas
- Lavagem de dinheiro
- Associação ao tráfico
A PF afirma que a prisão é fruto da cooperação internacional com a Interpol e representa um golpe importante contra a nova cúpula do PCC.
PCC opera onde Estado falha
A prisão de Tuta escancara como o crime organizado brasileiro se globalizou — e como seus líderes operam com liberdade alarmante fora do país. Não se trata de um caso isolado, mas de uma engrenagem que, mesmo isolada em presídios de segurança máxima, continua funcionando.
Cabe agora às autoridades brasileiras garantir que essa prisão não seja apenas mais um capítulo com final negociado. O PCC opera onde o Estado falha. E esse é o maior desafio: disputar território, legitimidade e justiça.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




