Índice de Tópicos
O senador Oriovisto Guimarães (PSDB-PR) afirmou ao Blog do Esmael, nesta quarta-feira (26), que não concorrerá à reeleição em 2026.
“Não vou me candidatar a mais nada. Na eleição de 2018, eu deixei claro que seria uma única vez”, declarou o senador.
Segundo Oriovisto, sua decisão está fundamentada na crença de que a alternância de poder é essencial para a democracia. “A renovação é muito importante. A política como profissão é muito ruim para o país”, disse. “Tem deputado com 30 anos de mandato”, criticou.
Cenário político para 2026
Oriovisto traçou um panorama desfavorável para a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O senador acredita que a gestão do petista enfrenta desafios significativos e sugeriu que Lula siga seu exemplo e não concorra em 2026.
“A chance de continuidade do PT é nula em virtude da economia. Até mesmo o Nordeste, outrora bastião de Lula, agora o rejeita. No Sul, a reprovação chega a 70%”, avaliou.
Contudo, ele admitiu que um eventual “milagre econômico” poderia reverter esse quadro. “A economia está estressada e muito séria, por isso o governo está derretendo. A boca do jacaré já abriu nas pesquisas de opinião”, afirmou, referindo-se à crescente diferença entre reprovação e aprovação do governo.
Crítica à inflação e custo de vida
O senador também fez um relato pessoal sobre a alta dos preços. “Fui ao supermercado e levei um susto com os preços das mercadorias. Três sacolinhas custaram R$ 300”, relatou. “Imagina um assalariado”, lamentou.
Apesar das ferramentas que o governo possui para tentar influenciar o cenário eleitoral, Oriovisto minimizou os efeitos das mudanças na Secretaria de Comunicação (SECOM), que substituiu Paulo Pimenta pelo publicitário Sidônio Palmeira. “O presidente falou dos programas Pé-de-Meia e Farmácia Popular em rede de televisão e rádio, mas isso não convence mais. O cidadão vai ao supermercado e encontra as mesmas dificuldades para comprar comida”, analisou.

Alternativas para 2026
Para Oriovisto, a solução para o Brasil está na superação da polarização entre Lula e Bolsonaro. Ele defende a emergência de um nome de centro-direita como alternativa.
“A esperança seria um candidato mais ao centro, como Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), Ronaldo Caiado (União-GO), Ratinho Júnior (PSD-PR) ou Romeu Zema (Novo-MG)”, sugeriu.
Oriovisto também projeta um aumento da direita nas eleições legislativas de 2026, usando o Paraná como exemplo. Segundo ele, as duas vagas ao Senado poderão ser conquistadas por nomes da direita.
“Uma das vagas será de Ratinho Júnior ou de quem ele indicar, possivelmente o atual vice-governador Darci Piana (PSD), caso Ratinho dispute a presidência”, afirmou. Além disso, destacou outros nomes com potencial para a corrida ao Senado, como a jornalista Cristina Graeml (Podemos) e o deputado Filipe Barros (PL), que conta com apoio de Jair Bolsonaro.
“Ratinho Júnior é o grande eleitor no Paraná”, enfatizou, citando a alta aprovação do governador, que ultrapassa os 70% no estado.
E Sergio Moro?
Sobre o também senador Sergio Moro (União-PR), Oriovisto acredita que sua imagem sofreu desgastes desde a Lava Jato e que ele tem dificuldades para formar alianças políticas.
“Moro perdeu o brilho de antes e não amplia alianças devido ao discurso antipolítico que mantinha como juiz. Além disso, há o ressentimento pela forma como ele tirou a vaga de Alvaro Dias no Senado em 2022”, analisou.
Com sua decisão de não disputar a reeleição, Oriovisto Guimarães entra para o seleto grupo de parlamentares que cumprem o mandato sem buscar uma carreira política prolongada. Agora, resta saber quais serão os desdobramentos de sua ausência no cenário político paranaense e nacional.

Leia também no Blog do Esmael: Senador do MBL entra na linha de fogo de 500 mil frentistas do País; Eleição de Curitiba também encolhe Alvaro Dias, Flavio Arns e Oriovisto Guimarães; Podemos entra na linha de tiro de bolsonaristas, após convite a Moro

Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




