O debate promovido pela RPC TV, afiliada da Globo, nesta quinta-feira (3), trouxe uma surpresa estratégica que sacudiu as redes sociais: uma aliança inesperada entre Cristina Graeml (PMB) e Roberto Requião (Mobiliza).
Os dois candidatos pareciam compartilhar o mesmo objetivo: desestabilizar a candidatura do vice-prefeito Eduardo Pimentel (PSD), principal alvo da noite.
Cristina, conhecida por seu estilo incisivo, acusou Pimentel de assédio eleitoral contra servidores da prefeitura, um tema que, segundo ela, é evitado pelos demais candidatos.
Sem direito de resposta, Pimentel teve de queimar seu tempo para se defender.
Requião, por sua vez, seguiu a linha de críticas ao atual vice-prefeito, reforçando a narrativa de oposição a um governo que, nas palavras dele, não representa os interesses do povo de Curitiba.
Cristina, em sua estreia nas urnas, acusou os principais candidatos de serem “do sistema” e criticou o uso do fundo eleitoral para campanhas. Requião, conhecido por suas críticas contundentes ao cenário político, reforçou o discurso, afirmando que as coligações de seus rivais eram fruto de “negociatas partidárias”.
A sintonia entre os dois causou surpresa, já que pertencem a espectros políticos opostos.
Ela se autoproclama de “direita” e “bolsonarista” enquanto o ex-governador era conhecido por suas posições mais alinhadas à “esquerda” e ao campo político “petista”.
Nesse intervalo, Ney Leprevost (União) buscou associar Luciano Ducci (PSB) ao PT e à presidenta do partido, Gleisi Hoffmann, numa tentativa de minar o apoio do eleitorado mais conservador.
A resposta de Ducci foi afiada: ele lembrou que o partido de Leprevost, o União Brasil, possui três ministérios no governo Lula, gerando reações nas redes.
Em um dos momentos mais tensos do debate, Ducci revelou acusações contra o vice de Cristina Graeml, mencionando supostos malfeitos contra idosos.
A acusação rendeu à candidata do PMB o único direito de resposta da noite, o que movimentou ainda mais a discussão.
Luciano Ducci também aproveitou o momento para se distanciar das pautas negacionistas de Cristina, criticando sua postura antivacina e sua visão sobre os atos de 8 de janeiro, que ela se recusa a classificar como golpistas.
A dinâmica do debate mostrou uma disputa polarizada, com Cristina focada em desqualificar Pimentel, indicando uma possível estratégia para o segundo turno.
Pareceu que os candidatos que têm mais chances de avançar para a segunda etapa eleitoral preferem concorrer contra Ducci.
A aliança entre Cristina e Requião chamou atenção, mas, como sempre, o resultado final depende dos eleitores que irão às urnas no domingo.
As redes sociais chiaram com esse combinado entre uma candidata que se autoproclama de direita e um candidato sabidamente de esquerda.
O eleitorado curitibano agora reflete: quem sairá fortalecido desse embate na reta final?
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




