Chance de embate direto no 2º turno entre Boulos e Nunes é alta, mas força emergente de Pablo Marçal pode surpreender
A eleição para a Prefeitura de São Paulo, daqui a um mês, está se desenhando como uma das mais acirradas da história recente da cidade. Com um empate técnico entre três candidatos—Guilherme Boulos (PSOL), Ricardo Nunes (MDB) e Pablo Marçal (PRTB)—o cenário está longe de ser definido, e o resultado pode depender de fatores que vão além das campanhas eleitorais. A influência do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e sua capacidade de “eleger” um candidato na maior metrópole do país, como fez em 2012 com Fernando Haddad, é um tema central nessa disputa.
Historicamente, o apoio do presidente em exercício tem desempenhado um papel decisivo nas eleições municipais de São Paulo. Em 2012, durante o governo de Dilma Rousseff (PT), Fernando Haddad venceu a corrida pela prefeitura pelo PT, mesmo sendo um novato nas disputas majoritárias. No entanto, sua tentativa de reeleição em 2016 foi frustrada, em grande parte, pela escolha de esconder a imagem do PT e de Lula, à época em baixa, o que abriu espaço para a oposição consolidar sua força com a vitória de João Doria (PSDB).
Na eleição 2024, o presidente Lula busca repetir o feito de 2012 ao apoiar Guilherme Boulos, tentando, mais uma vez, alinhar o governo federal com a capital paulista. O cenário é desafiador, mas Lula conta com a força de sua base eleitoral e o carisma de Boulos, que já mostrou forte penetração nas periferias e entre eleitores progressistas. Ainda assim, o histórico mostra que o apoio presidencial, por si só, não garante a vitória—especialmente em uma cidade com o perfil político volátil de São Paulo.
Do outro lado da disputa, Ricardo Nunes, atual prefeito e herdeiro político de Bruno Covas (PSDB), tenta se consolidar como o candidato da continuidade e da governabilidade. Sua gestão foi marcada por uma administração focada em temas locais, como transporte e habitação, mas enfrenta críticas pela falta de uma identidade política forte que o destaque entre os rivais. Para Nunes, a vantagem é sua posição como incumbente e a capacidade de mobilizar a máquina administrativa, fatores que tradicionalmente favorecem prefeitos em reeleição.
Pablo Marçal, ex-coach e figura emergente da nova direita, também desponta como um nome competitivo, explorando a insatisfação de parte do eleitorado com as opções tradicionais. Sua plataforma, voltada para uma crítica ao sistema político estabelecido, ressoa entre eleitores que buscam uma mudança mais radical. Contudo, sua capacidade de chegar ao segundo turno dependerá de como vai conseguir se destacar em um campo já saturado de figuras consolidadas.
Marçal é visto como um sucessor do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), caso vença em São Paulo. O ex-coach já se posiciona como uma alternativa da direita para concorrer à Presidência da República nas eleições de 2026, contra a reeleição de Lula.
Dito isto, com a disputa em aberto, o grande enigma desta eleição é quem será capaz de chegar ao segundo turno. A chance de um embate direto entre Boulos e Nunes é alta, mas a força emergente de Pablo Marçal pode surpreender, e alguém ficará pelo caminho. Lula, com seu histórico de conseguir eleger aliados em São Paulo, pode ter sucesso novamente, mas o cenário de 2024 é marcado por uma fragmentação que exige mais do que apenas o apoio presidencial.
A disputa em São Paulo não é apenas um termômetro do humor político do país, mas também um embate direto entre modelos de gestão e visões de cidade. O resultado impactará não apenas a capital, mas reverberará nacionalmente, com implicações para as eleições gerais de 2026. A grande questão é se Lula conseguirá, mais uma vez, alinhar a prefeitura de São Paulo ao governo federal ou se a oposição consolidará um novo ciclo de hegemonia na maior cidade do Brasil.
Na próxima sexta-feira (6/9), o Instituto Paraná Pesquisas promete a “prova dos nove” em uma nova pesquisa eleitoral sobre a disputa pela Prefeitura de São Paulo. O levantamento, que conta com 1.500 entrevistados, ocorre em um momento decisivo da campanha, véspera da manifestação convocada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro na Avenida Paulista.
Bolsonaro, que apoia a reeleição do atual prefeito Ricardo Nunes, busca fortalecer a posição de seu candidato, que atualmente luta para garantir sua vaga no segundo turno.
Leia também no Blog do Esmael: Defesa pede manutenção da prisão domiciliar de Bolsonaro

Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




