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New Yorker explica aos EUA por que Lula assusta Bolsonaro

O jornal americano The New Yorker reporta que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) agora está livre para se candidatar nas eleições de 2022.

Recentemente, o Supremo Tribunal Federal (STF) anulou todas as condenações do petista na Lava Jato. Por causa disso, Lula recuperou seus direitos políticos e entrou no páreo presidencial do ano que vem.

A publicação dos EUA observa que Lula ainda não declarou sua candidatura, mas, diante da inevitabilidade, o presidente Jair Bolsonaro ficou bastante preocupado com pesquisas em que o petista aparece bem à frente.

Segundo o Yorker, Bolsonaro está governando retroativamente. O mandatário mudou de posição após Lula orientar aos brasileiros para “se vacinarem” na pandemia e usar máscara.

O presidente da República é um negacionista que ampliou o desastre no enfrentamento da Covid-19 prescrevendo medicamentos sem eficácia e desestimulando o isolamento social.

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Ao repórter do New Yorker, Jon Lee Anderson, Lula disse na terça-feira (6/4) como vê o quadro no Brasil:

“Há muitos anos eu digo, e a história ensina, que quando as pessoas negam a política, o que vem a seguir é sempre pior. E no Brasil houve uma campanha muito violenta contra a política, para tirar a esquerda do governo, que acabou resultando no Bolsonaro, um fenômeno semelhante ao de Trump nos Estados Unidos”. Ele acrescentou: “Você superou Trump, e a sociedade brasileira vai superar esse acidente chamado Bolsonaro.”

O ex-presidente Lula completou ao The New Yorker:

“Precisamos acelerar as vacinações, fornecer assistência econômica aos que estão desempregados e famintos e criar uma linha de crédito para ajudar as micro e pequenas empresas. O presidente Bolsonaro precisa parar de falar e fazer bobagens. Mas a solução para o problema do coronavírus só pode ser global. É preciso que os países ricos esqueçam as divergências geopolíticas para discutir a produção de vacinas e a vacinação de todos. O que vivemos é uma guerra da natureza contra a humanidade e, por enquanto, a única arma é a vacina. Por isso, deve ser transformado em bem público financiado pelos estados, para que a vacina seja garantida a todos os habitantes do planeta. Não vamos vencer o covid com cada país agindo individualmente.”

Nas últimas semanas, o Brasil teve a maior contagem de mortes de covid-19 do mundo, uma situação que parece ter sido motivada pela resposta de Jair Bolsonaro à crise –registrou o jornal dos Estados Unidos.