Fundo eleitoral bilionário é o menor dos problemas do Brasil

Publicado em 17 dezembro, 2019

Congresso Nacional
A proposta orçamentária do fundo de R$ 3,8 bilhões para financiar as campanhas eleitorais em 2020 é o menor dos problemas do Brasil. Mas a velha mídia insiste em criar uma cortina de fumaça para esconder o que realmente interessa: a volta da galopante inflação e do desemprego, o que se configura numa estagflação.

A ideia da velha mídia é criar aquela catarse, aquele climão, contra os partidos e os políticos. Deixá-los na defensiva para continuar comandando a pauta e beneficiar determinados lobbies, grupos econômicos e próprios em detrimento da população.

O financiamento público é ruim? É muito pior sem ele. O País já viveu nos tempos que as grandes corporações compravam diretamente os mandatos parlamentares com o financiamento privado. Agora, ao menos, têm que disfarçar e cumprir alguns requisitos.

O fundo eleitoral poderia até triplicar de valor, se os deputados e senadores defendessem os interesses dos trabalhadores, das mulheres, dos jovens, idosos, enfim, dos brasileiros.

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O diabo é que eles rateiam esse valor intra muros e ainda, não generalizado, pegam um dinheiro não declarado por aí para aumentar sua chance de eleição à Câmara ou ao Senado.

A redução do fundo eleitoral de R$ 3,8 bilhões para R$ 2 bilhões, como quer o relator relator-geral do Orçamento de 2020, deputado Domingos Neto (PSD-CE), é uma demagogia barata que pode sair mais caro no futuro. Sem a injeção do dinheiro público, aumenta a ingerência do setor privado nas campanhas eleitorais e, consequentemente, o Congresso Nacional volta a ser propriedade somente de alguns abonados.

Ainda nesta terça-feira (17), o parecer pela redução do fundo eleitoral deverá ser votado pela Comissão Mista de Orçamento e pode ir à votação no plenário do Congresso no mesmo dia. Porém, alerta-se, é uma bobagem diminuir a fiscalização estatal e abrir para o salve-se quem puder do financiamento privado nas campanhas.

A corrupção, amigo leitor, surge da falta fiscalização estatal, da predominância do interesse privado sobre a coisa pública.

A Lava Jato, se é que existe pedagogia nisso, surgiu em virtude de interesses privados na Petrobras e o desejo de financiamento de campanhas políticas com “recursos privados”. Na época, a legislação permitia. Portanto, voltar atrás (literalmente) é mais que burrice: beira a canalhice.

Quanto ao fundo partidário, a proposta do relator do orçamento de 2020 é pela manutenção dos R$ 959 milhões.