Estadão e a histeria anticorrupção

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Bastou a lava jato chegar perto de tucanos para que o Estadão gritasse “Alto lá!” e chamasse de “histeria” as investigações da força-tarefa do juiz Sérgio Moro.

O jornalão registra em editorial desta segunda (18) que a luta contra a corrupção e as denúncias produzidas quase diariamente pela vanguarda dessa campanha acabaram por sequestrar a agenda nacional.

“… de tal modo que os eleitores parecem hoje incapazes de refletir sobre os problemas do País sem vinculá-los de alguma maneira à corrupção – que, como consequência, se tornou a medida de todas as coisas”, lamenta o jornalão dos Mesquita.

O Estadão propugna pela necessidade de impedir que a “histeria anticorrupção” governe o País.

“Não é uma situação de todo surpreendente, ante a desmoralização completa da política em razão do denuncismo que tão bem caracteriza o trabalho de uma parte da força-tarefa da Lava Jato e que ganha manchetes escandalosas dia e noite.”

O diabo é que a luta contra corrupção virou histeria somente quando chegou perto do PSDB, a ponto de o juiz Sérgio Moro abrir mão de julgar membros do governo Beto Richa por envolvimento em recebimento de propinas do pedágio no Paraná.

Por outro lado, quando os investigados são do PT ou políticos nacionalistas — que defendem o caráter público de empresas e serviços — Estadão não vê histeria nem exagero da lava jato.

Defensor do neoliberalismo, o jornalão quer o Brasil vendido a preço de banana. Petrobras, Previdência, universidades, saúde, etc., tudo tem que ser explorado pela iniciativa privada aos olhos do representante da burguesia paulistana.

Por isso, infelizmente, o editorial de Estadão não dá para ser levado a sério. Não tem nada de garantismo nele. É apenas mais uma fake news.