Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, foi transferido na noite de quinta-feira (19) da Penitenciária Federal para a Superintendência da Polícia Federal em Brasília, depois de assinar um termo de confidencialidade com a Polícia Federal (PF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR). O movimento abre a fase inicial de uma possível colaboração premiada e recoloca o caso no núcleo duro do Estado, onde a crise pesa de verdade, no Supremo Tribunal Federal (STF), na PF e na PGR.
A transferência foi autorizada pelo ministro André Mendonça, relator do caso no STF. Na prática, ela facilita o acesso direto dos investigadores e dos advogados ao banqueiro, sem as barreiras da penitenciária de segurança máxima, o que acelera as tratativas e muda o patamar político da investigação.
O dado mais importante para Brasília é outro. O caso Master vai saindo do barulho lateral da CPMI e volta ao coração institucional do Estado. Na segunda-feira (16), Mendonça proibiu a CPMI do INSS de acessar novos dados sigilosos de Vorcaro e determinou que o material armazenado no Senado fosse devolvido à PF. Agora, com Vorcaro dentro da superintendência da corporação, o eixo da crise se reposiciona claramente entre STF, PF e PGR.
A troca na defesa já apontava nessa direção. Na semana passada, a banca de Pierpaolo Bottini deixou o caso e foi substituída por José Luis Oliveira Lima. Em seguida, a nova defesa se reuniu com André Mendonça na terça-feira (17), e a possibilidade de delação foi levada à conversa.
O pano de fundo é explosivo. Na quarta-feira (18), Mendonça prorrogou por mais 60 dias o inquérito da Operação Compliance Zero, que apura fraudes financeiras no Banco Master, incluindo a concessão de créditos falsos e a tentativa de venda de ativos ao Banco de Brasília (BRB). Segundo as investigações preliminares, o rombo pode chegar a R$ 17 bilhões.
É nesse ponto que a história volta a assombrar os gabinetes. Reportagens desta sexta-feira (20) apontam que uma eventual colaboração pode abrir novas frentes de investigação sobre encontros, contratos e relações de Vorcaro com autoridades e figuras políticas dos três Poderes. A Polícia Federal também trabalha com material extraído do celular e de arquivos do banqueiro, que deve ser encaminhado ao relator do caso no STF.
Entretanto, parlamentares governistas chamam o escândalo de “BolsoMaster” devido à quantidade de bolsonaristas e políticos de direita envolvidos.
Segundo o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), o escândalo do Banco Master não nasceu do nada: teve omissão do Banco Central, alertas ignorados por Campos Neto e um sistema de crédito que explodiu no governo Bolsonaro com o consignado do INSS.
“Lula investiga. Bolsonaro interferia para proteger os seus. E é por isso que agora tudo está vindo à tona”, disse o congressista fluminense.
Evidentemente, o caso Master será tema nas eleições de 2026. O fato mais objetivo é que o Congresso perdeu o controle da narrativa sobre o escândalo, que passou à alçada da PF e da PGR, que têm poder para conduzir uma virtual delação.
Convém separar fato de especulação. A delação ainda não está fechada. O que existe hoje é o passo inicial: termo de confidencialidade assinado, defesa disposta a negociar e transferência para um ambiente que favorece conversas diretas com os investigadores. Para virar acordo de colaboração premiada, Vorcaro ainda terá de apresentar relato preliminar, entregar elementos verificáveis, prestar depoimentos formais e, ao fim, obter homologação do STF.
Por isso a movimentação desta manhã tem peso de Brasília pesada. O caso Master deixa de ser apenas uma crise financeira com respingos parlamentares e volta a operar no centro da engrenagem institucional, onde investigações derrubam biografias, redes de proteção se desfazem e a política passa a medir o tamanho real do estrago. Continue acompanhando os bastidores da política e do poder pelo Blog do Esmael.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




