A campanha “Volta, Dilma” pode ser deflagrada se o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidir não disputar a reeleição em 2026. Não é segredo que Lula, 79 anos, condiciona sua candidatura à própria saúde. “Para eu ser candidato, eu tenho que ser muito honesto e sincero comigo, eu preciso estar 100% de saúde. Para ser candidato, e depois acontecer o que aconteceu com o Biden, jamais. Não vou enganar o partido”, disse em agosto a uma plateia de militantes petistas.
O movimento pela volta da ex-presidenta Dilma Rousseff (PT), 77 anos, derrubada em 2016 por um golpe parlamentar com apoio do STF e da mídia corporativa, voltou ao radar de setores do partido. Dilma preside atualmente o banco do BRICS, em Xangai, e tem recebido a visita de lideranças brasileiras, como o jornalista Leonardo Attuch, dono do Brasil 247. Ele sempre ressaltou a honestidade da petista e condenou sua cassação. Questionado pelo Blog do Esmael via WhatsApp, Attuch não respondeu, possivelmente por causa do fuso horário com a China.
Nos bastidores, há quem lembre que Dilma foi chefe do atual governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), quando ele ocupou a diretoria-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit). Esse detalhe adiciona tempero político a um eventual retorno, pois Tarcísio é o principal nome da direita para 2026, na ausência do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado a 27 anos de prisão pelo STF.
A eventual candidatura de Dilma dividiria opiniões no PT. Parte da militância a vê como símbolo de resistência ao golpe de 2016, enquanto outros setores defendem a renovação com novos líderes. A presença de Lula como fiador da escolha será decisiva para qualquer movimentação.
No âmbito do PT, também são lembrados os nomes da ministra Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais), de Camilo Santana (Educação) e de Fernando Haddad (Fazenda). Entre aliados, figuram o vice-presidente Geraldo Alckmin e os ministros do STF Flávio Dino e Alexandre de Moraes.
Seja como plano B ou como movimento real de resistência, a bandeira “Volta, Dilma” recoloca a ex-presidenta na cena nacional. Mais do que um nome, Dilma encarna uma narrativa de reparação histórica diante do impeachment considerado fraudulento por amplos setores democráticos.
A hipótese “Volta, Dilma” mostra que o tabuleiro de 2026 continua em aberto, com Lula como principal articulador. Caso não dispute, abre-se espaço para uma disputa simbólica e concreta pela narrativa democrática. Entretanto, se tiver condições de saúde e decidir concorrer, Lula é favorito a conquistar um quarto mandato, não consecutivo, no Palácio do Planalto.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




