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Valdemar admite golpe e implode agenda de Tarcísio em Brasília

Valdemar Costa Neto, presidente nacional do PL, admitiu que houve planejamento de golpe de Estado no Brasil. A declaração, feita em evento em Itu (SP), caiu como bomba no bolsonarismo e deflagrou o cancelamento da agenda de Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) em Brasília, onde o governador tentaria se apresentar como articulador da anistia a Jair Bolsonaro (PL).

A confissão de Valdemar foi interpretada como um “sincericídio” que entregou a estratégia de Tarcísio: aplicar um “bypass” no ex-presidente condenado a 27 anos de prisão pelo STF, fragilizando a narrativa de que o 8 de Janeiro não passou de “bagunça”. Nos bastidores, aliados consideram que o dirigente liberal deu uma “bola nas costas” do próprio Bolsonaro.

Em meio à implosão, volta à tona uma entrevista recente de Valdemar Costa Neto à GloboNews, na qual ele contrariou o discurso bolsonarista ao afirmar que sempre confiou nas urnas eletrônicas. O dirigente contou que já sabia que Lula venceria em 2022, citando levantamentos da Paraná Pesquisas que apontavam a desvantagem do então presidente. Segundo Valdemar, ele chegou a alertar Bolsonaro de que não havia condições de virar os votos.

A crise ganhou ainda mais corpo quando o advogado Fabio Wajngarten, ex-ministro da Secom de Bolsonaro, reagiu nas redes sociais:

“Houve planejamento de golpe? Se sim por quem? Alguém financiou? Não é possível mais ouvirmos e nos calarmos. Chega.” Wajngarten é uma espécie de “alter ego” do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

A fala do ex-ministro da Secom reverbera a revolta da base bolsonarista, que vê no depoimento de Valdemar um risco real de abertura de novas investigações sobre o núcleo político e econômico do golpe.

Nos bastidores do PL, a leitura é de que a máxima “rei morto, rei posto” está em curso. Dirigentes trabalham com a previsão de que até dezembro Tarcísio se filie ao partido para disputar o Planalto em 2026, num movimento que reforça o enfraquecimento de Bolsonaro e a ascensão do governador paulista como aposta da direita liberal.

O episódio escancara a implosão da legenda que mais cresceu na onda bolsonarista. Ao admitir o golpe, Valdemar deu munição ao governo e à oposição no Congresso para barrar a anistia. O PL, maior partido da direita, mostra rachaduras profundas justamente quando deveria oferecer coesão frente às condenações de Bolsonaro e militares no STF.

A cena política confirma que a extrema direita vive uma transição forçada: de um ídolo condenado a um candidato em construção. O “sincericídio” de Valdemar, ao mesmo tempo que fragiliza Bolsonaro, dialeticamente, acelera a consolidação de Tarcísio.

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