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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano), anunciou neste sábado (27.set.2025) que autorizou o envio de tropas federais para Portland, no estado de Oregon, e disse que está disposto a empregar “força total” contra manifestantes. A medida foi comunicada pelo próprio mandatário em sua rede Truth Social.
Segundo Trump, o secretário de Defesa Pete Hegseth deverá atender a um pedido da secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, para proteger instalações do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) e conter supostos ataques de “antifas e outros terroristas domésticos”.
Contestação local e legalidade em xeque
A governadora do Oregon, Tina Kotek (Partido Democrata), reagiu imediatamente. Em coletiva de imprensa, afirmou que a cidade “não precisa de intervenção federal” e classificou a ação como um “abuso de poder”. Ela garantiu que não autorizou mobilização da Guarda Nacional. O prefeito de Portland, Keith Wilson, também criticou a presença de agentes federais, dizendo que a mobilização só causa “caos e prejuízo à economia local”.
A iniciativa surpreendeu parte do Pentágono. Fontes militares, sob anonimato, disseram não saber se a ordem será cumprida com tropas regulares ou com a Guarda Nacional. Além disso, especialistas lembram que a Lei Posse Comitatus (1878) restringe o uso das Forças Armadas em missões de segurança interna, o que pode tornar a medida ilegal. Em setembro, um juiz federal já havia considerado inconstitucional o envio de tropas a Los Angeles.
Narrativa de “cidade em guerra”
Trump descreveu Portland como “devastada pela guerra”, em contraste com relatos locais e registros da imprensa. Repórteres que circularam pela cidade encontraram ruas pacíficas, cafés lotados e um número reduzido de manifestantes diante do prédio do ICE. O senador Jeff Merkley (Democrata) pediu que os moradores não “caiam na armadilha” de confronto. Já a deputada Maxine Dexter (Democrata) classificou a medida como “autoritarismo” e convocou protestos pacíficos.
Em resposta, aliados de Trump elogiaram a ação. Lori Chavez-DeRemer, secretária do Trabalho, disse que o presidente agiu para proteger o país da “anarquia” e transformar Portland novamente em uma “cidade segura”.
Contexto político
O envio de tropas se insere numa escalada da ofensiva de Trump contra a imigração. Após a morte do ativista conservador Charlie Kirk, ele assinou decreto que designa o movimento antifa como “organização terrorista doméstica”, embora não exista base legal para tal classificação. Analistas apontam que a medida atende à base eleitoral mais radical do ex-presidente, em meio à preparação para a disputa presidencial de 2026.
Narrativas e repressão
A decisão de Trump é um passo perigoso para a democracia americana. O uso das Forças Armadas contra cidadãos, em um cenário sem ameaça comprovada, evoca práticas autoritárias que corroem instituições. O caso de Portland mostra como líderes podem inflar narrativas de caos para justificar repressão. Resta à sociedade civil resistir de forma pacífica e ao Judiciário impor limites constitucionais.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




