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Trump quer demitir o Fed; Lula pressionará Galípolo?

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A bomba que caiu no noticiário internacional nesta sexta-feira (18) revela o tamanho do embate que se aproxima entre política e tecnocracia: o presidente Donald Trump cogita demitir o presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell. O motivo? Juros altos demais.

No Brasil, Gabriel Galípolo, atual presidente do Banco Central e do Copom, também desafia o programa de governo ao manter a Selic em 14,25% — e indicar nova alta para 15% ao ano na reunião de 6 e 7 de maio.

Até quando Lula vai tolerar isso?

O mandato de Powell frente ao Fed irá até maio de 2026, se não for interrompido por Trump.

Já o mandato de Galípolo, no BC, termina em 2028.

Trump desafia autonomia do Fed

Segundo a imprensa americana, Trump considera Powell responsável por travar a economia americana com sua política de juros elevados. Assessores próximos já afirmam que o republicano quer substituir o chefe do Fed por alguém alinhado ao seu projeto de crescimento. A mensagem é clara: ou o Fed abaixa os juros ou será trocado.

Em março último, o Fed definiu a taxa de juros entre 4,25% e 4,50% ao ano.

É um recado que ressoa em Brasília, onde Galípolo, embora indicado pelo governo Lula, segue uma trajetória que desagrada profundamente setores do PT e da base progressista no Congresso Nacional.

Galípolo descola do Planalto e aponta Selic de 15%

Desde que assumiu o comando do Banco Central em janeiro de 2025, Galípolo tenta equilibrar técnica e política — mas o pêndulo parece pender perigosamente para o lado do mercado.

A Selic está hoje em 14,25% ao ano, já uma das mais altas do mundo. E o Copom, sob sua presidência, sinaliza nova alta de 0,75 ponto percentual, levando a taxa para 15% em maio.

O movimento vai na contramão do discurso de Lula, que há meses denuncia os juros altos como sabotagem ao crescimento, à geração de empregos e aos compromissos sociais do governo.

Lula fará como Trump?

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Lula nomeou Fernando Haddad para a Fazenda, que por sua vez bancou Gabriel Galípolo no comando do Banco Central.

Trump, com seu mantra “América Primeiro”, não pensa duas vezes: se o Fed atrapalha seu projeto, troca o presidente.

Já Lula, defensor do papel social do Estado, parece ainda prisioneiro do formalismo jurídico da tal “autonomia”. Mas a própria lei permite a exoneração do chefe do BC por “razões de interesse público” — com aval do Senado.

A pergunta que ecoa no Planalto é: até quando Lula vai engolir um Galípolo que aplica a cartilha da Faria Lima com zelo quase devocional?

Nos bastidores do governo, o desconforto cresce. Embora mantenha canal direto com Haddad e banqueiros, Galípolo começa a perder terreno entre parlamentares petistas e movimentos populares, que enxergam na Selic de dois dígitos uma traição ao programa eleito nas urnas.

A independência do BC não é um dogma

É importante lembrar que o próprio conceito de “autonomia” do Banco Central é uma construção política. Como toda instituição da República, o BC deve prestar contas à sociedade — e não agir como uma torre de marfim em defesa exclusiva dos rentistas.

A alta da Selic para 15% pode se tornar o estopim de uma crise institucional silenciosa: entre um governo eleito com a promessa de desenvolvimento e um BC que responde a interesses financeiros.

Tudo sobre Galípolo, Copom e Selic

Quem é Gabriel Galípolo?

Economista e ex-número 2 do Ministério da Fazenda. Assumiu a presidência do Banco Central em janeiro de 2025.

Qual a taxa Selic atual?

A Selic está em 14,25% ao ano. É a principal taxa de juros da economia brasileira.

O Copom vai aumentar a Selic de novo?

Sim. A próxima reunião do Copom, marcada para os dias 6 e7 de maio, deve elevar a taxa para 15% ao ano, segundo projeções do mercado e sinalizações da diretoria do BC.

Lula pode demitir o presidente do BC?

Sim, desde que justifique “razões de interesse público” ao Senado, conforme previsto na Lei Complementar nº 179/2021.

O que acontece se a Selic continuar subindo?

Juros altos encarecem o crédito, travam o consumo, derrubam o PIB e aumentam o desemprego — tudo que o governo Lula prometeu combater.

Entre o povo e os bancos, Lula precisa escolher

Enquanto Trump já prepara o bote para cima do presidente do Fed, Lula segue refém de uma estrutura criada no governo Bolsonaro para blindar o rentismo. Se a Selic subir para 15% e Galípolo continuar agindo como delegado da Faria Lima, o governo corre o risco de implodir suas próprias bases populares.

Autonomia do Banco Central não pode ser sinônimo de submissão ao mercado. O povo votou por mudança, e não por juros de agiotagem institucionalizada.

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