O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, avalia autorizar uma ação militar contra o Irã nas próximas horas, segundo relatos de autoridades europeias e israelenses a agências internacionais. A movimentação de tropas e a retirada de pessoal de bases no Oriente Médio indicam que Washington entrou em modo de prontidão máxima, elevando o risco de um conflito regional de grandes proporções.
A Casa Branca não confirma oficialmente a decisão, mas o cenário mudou de patamar. De hipótese diplomática, a intervenção passou a ser tratada como opção concreta no núcleo de segurança nacional do governo americano.
O estopim é a repressão brutal do regime iraniano contra protestos internos. Organizações de direitos humanos contabilizam milhares de mortos e mais de 18 mil presos desde o início das manifestações. A ameaça de execuções de manifestantes, como no caso do jovem Erfan Soltani, virou combustível político para Trump endurecer o discurso e preparar o terreno para uma ação armada.
A movimentação militar fala mais alto que os comunicados oficiais. Os Estados Unidos iniciaram a retirada de pessoal não essencial da base aérea de Al Udeid, no Qatar, principal centro de operações americanas no Oriente Médio. O Reino Unido seguiu o mesmo caminho e deslocou militares de apoio.
O gesto é interpretado por diplomatas como medida preventiva diante da quase certeza de retaliação iraniana. Teerã já avisou que qualquer ataque ao seu território será respondido contra bases estrangeiras na região, incluindo aquelas em países aliados de Washington.
Israel elevou seu nível de alerta. Autoridades de Tel Aviv tratam a decisão americana como questão de tempo. A leitura estratégica é que, uma vez iniciado o confronto, o conflito dificilmente ficará restrito ao Irã.
A crise nasce dentro do próprio regime iraniano. Desde o fim de dezembro, segundo as narrativas americana e britânica, o país vive a maior onda de protestos em anos, impulsionada por crise econômica, corrupção e repressão política. A resposta das autoridades foi a intensificação da violência estatal, com cortes de internet, prisões em massa e julgamentos sumários.
Trump passou a usar esse cenário como justificativa política para uma eventual ofensiva. Ao prometer “ação forte” caso as execuções avancem, o presidente americano se posiciona como defensor dos manifestantes, mas também reforça uma marca histórica de sua política externa: a aposta na força como instrumento central de pressão internacional.
Internamente, a retórica serve para consolidar sua base política, que vê na postura dura contra regimes autoritários um sinal de liderança. Externamente, aumenta o isolamento do Irã e reduz o espaço para uma saída negociada.
O risco maior está no efeito dominó. O Irã mantém influência direta sobre grupos armados no Líbano, na Síria, no Iraque e no Iêmen. Um ataque americano pode acionar uma cadeia de respostas que extrapola as fronteiras iranianas e coloca em xeque a estabilidade de todo o Oriente Médio.

Diplomatas da Turquia, do Egito e da Arábia Saudita já transmitiram mensagens de cautela a Washington. O temor é que uma escalada leve a um conflito de larga escala, com impacto imediato sobre o comércio internacional, a segurança energética e os preços do petróleo.
A memória recente pesa. Em junho, após bombardeios americanos a instalações estratégicas iranianas, Teerã respondeu com mísseis contra a base de Al Udeid. Naquele momento, a crise foi contida. Agora, o ambiente político é mais tenso e menos previsível.
No centro da decisão está Donald Trump. O presidente dos Estados Unidos construiu sua trajetória política com base na ideia de dissuasão pela força. Para ele, demonstrar prontidão militar é parte do jogo de pressão.
O dilema é conhecido nos círculos de segurança. Uma ação limitada pode ser interpretada como fraqueza. Uma ofensiva mais ampla pode abrir uma frente de guerra difícil de controlar. Entre esses dois polos, a Casa Branca parece optar por uma estratégia de intimidação máxima, mantendo todas as cartas militares sobre a mesa.
A pergunta que domina as chancelarias não é mais se haverá reação americana, mas quando e em que escala.
O mundo observa, em tempo real, a construção de mais uma encruzilhada geopolítica. Se Trump autorizar o ataque ao Irã, a narrativa será a defesa dos direitos humanos. O resultado prático, porém, pode ser a abertura de um novo ciclo de instabilidade no Oriente Médio, com custos humanos, econômicos e políticos que vão muito além de Washington e Teerã.
A história recente ensina que intervenções militares raramente entregam a democracia prometida. Entregam, quase sempre, mais tensão e mais sofrimento.

Rússia vê protestos no Irã liderados pelo Ocidente como pretexto para invasão militar
A leitura russa sobre a crise no Irã adiciona um novo elemento geopolítico à escalada: segundo uma fonte do governo iraniano ouvida pela agência estatal TASS, os protestos teriam sido estimulados por serviços de inteligência do Ocidente como parte de uma operação planejada para criar o pretexto de uma intervenção militar estrangeira. De acordo com essa versão, Teerã afirma ter provas de financiamento externo a manifestantes, com relatos de detidos que teriam confessado o recebimento de dinheiro e até treinamento fora do país, narrativa que reforça o discurso de Moscou e de aliados do regime iraniano de que a atual convulsão interna não é apenas um levante popular, mas também um capítulo da disputa estratégica entre potências no Oriente Médio.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




