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Trump x Powell: novo ataque pode abrir caminho para demissão do presidente do Fed

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A briga entre Donald Trump e Jerome Powell, presidente do Federal Reserve dos Estados Unidos, ganhou contornos ainda mais agressivos nesta sexta-feira (11). O governo Trump agora acusa formalmente Powell de mentir ao Congresso e de desperdiçar bilhões de dólares públicos em reformas luxuosas, num movimento que especialistas veem como tentativa de pavimentar sua demissão.

O ataque veio pelas mãos de Russell Vought, chefe do gabinete de orçamento presidencial, braço-direito de Trump na cruzada contra o banco central americano. Em carta publicada nas redes sociais e enviada diretamente a Powell, Vought afirmou: “O presidente está extremamente preocupado com a forma como você lida com o sistema bancário central”.

No centro da disputa, está a reforma da sede do Fed em Washington, estimada agora em US$ 2,5 bilhões, um salto de US$ 600 milhões em relação ao orçamento inicial, segundo denúncia revelada pela CNN. Para Trump e sua equipe, o projeto virou símbolo de “gastança irresponsável”, justamente num momento em que o presidente exige cortes radicais na taxa básica de juros.

Powell, no entanto, não cedeu. Apoiado por argumentos técnicos e pela autonomia legal do Fed, o banqueiro central tem mantido os juros altos para conter a inflação, que segue acima da meta de 2%. Esse cenário tem incomodado Trump, que busca acelerar a economia a todo custo em ano pré-eleitoral, mirando a disputa de meio mandato para o legislativo em 2026.

Bastidores de uma tentativa de derrubada

Fontes da CNN e analistas como Ed Mills indicam que esse novo ataque pode ser uma tentativa velada de forçar a renúncia de Powell — ou até mesmo criar base jurídica para destituí-lo, algo extremamente raro e juridicamente controverso. Pela legislação americana, o presidente não pode simplesmente demitir o chefe do Fed sem justa causa, o que tem sido um entrave para Trump desde sua volta ao poder.

A ironia é que foi o próprio Trump quem indicou Powell ao cargo em 2017, durante seu primeiro mandato. A relação, no entanto, azedou rapidamente. O magnata já chamou o economista de “estúpido” publicamente e, agora, busca desgastá-lo com a narrativa de que estaria sabotando o crescimento do país.

O pano de fundo: juros e poder

O coração do conflito é a política monetária. Trump quer juros baixos, crescimento rápido e crédito fácil, fórmula clássica para aquecer a economia e turbinar seu governo. Powell, por outro lado, age com cautela diante do risco de inflação persistente. A guerra é técnica, mas o tom é político.

Esse embate também acende alertas sobre a independência das instituições nos EUA. A pressão direta de Trump sobre o Fed, e as tentativas de interferência, reacendem o debate sobre o quanto a autonomia das autoridades monetárias pode resistir ao ímpeto do atual presidente americano.

Uma crise que pode explodir

Seja como forma de intimidação ou como manobra estratégica, Trump abriu mais um flanco de ataque contra o sistema institucional dos Estados Unidos. Ao mirar o presidente do banco central com acusações graves, o republicano alimenta sua base, desafia os limites legais e acelera a politização da política monetária, uma receita arriscada, tanto para a economia quanto para a democracia.

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