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Após bombardeio à base americana, Trump anuncia cessar-fogo “completo e total” entre Israel e Irã

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Em meio à escalada militar mais grave no Oriente Médio em décadas, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou na noite desta segunda-feira (23) que Israel e Irã concordaram com um cessar-fogo “completo e total”, que, segundo ele, encerrará formalmente o conflito nas próximas horas.

Pelas redes sociais, Trump afirmou que o Irã dará início ao cessar-fogo às 7h (horário de Israel) e, 12 horas depois, Israel fará o mesmo. “À meia-noite, a guerra será oficialmente considerada ENCERRADA”, escreveu o presidente norte-americano em tom triunfalista.

Segundo Trump, o entendimento foi possível após o que ele chamou de “resposta muito fraca” do Irã aos bombardeios americanos sobre instalações nucleares iranianas, no fim de semana. O republicano também agradeceu publicamente a Teerã pelo suposto “aviso prévio” antes dos ataques retaliatórios a bases dos EUA no Catar, o que, segundo ele, evitou mortes ou grandes danos.

Bastidores do cessar-fogo: desconfiança e manobras políticas

Apesar do anúncio eufórico de Trump, até o fechamento desta reportagem, não havia confirmação oficial por parte de Israel ou do Irã sobre o acordo. No terreno, a situação continua tensa.

Horas antes, o Irã disparou mísseis contra a base americana de Al Udeid, no Catar, em resposta aos bombardeios de Washington. O líder supremo iraniano, Ali Khamenei, endureceu o tom e declarou que “não aceitará assédio de ninguém”, reafirmando a lógica de resistência do país persa.

Do lado israelense, a retaliação foi intensa. A Força Aérea de Israel (IAF) realizou bombardeios “sem precedentes” contra infraestrutura militar subterrânea no oeste do Irã, segundo o exército israelense. Alvos incluíram depósitos de mísseis e um lançador pronto para ser usado contra caças da IAF.

O Catar, epicentro dos ataques iranianos às bases americanas, tratou a situação como “questão soberana” e reafirmou os laços diplomáticos com Teerã. Já o Parlamento iraniano avançou em um projeto de lei que prevê a suspensão total da cooperação com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), acirrando a crise nuclear.

Consequências econômicas e diplomáticas em curso

O impacto econômico também foi imediato. O preço do petróleo despencou 7% após o ataque iraniano à base no Catar, aliviando temporariamente o temor de interrupção do fornecimento global. Por ora, o estratégico Estreito de Ormuz segue aberto, mas o Parlamento iraniano aprovou simbolicamente o fechamento, o que mantém o mercado sob alerta.

A Rússia, por sua vez, pediu o fim da escalada armada e das “ações provocativas” no conflito. O governo russo condenou abertamente os ataques dos EUA e de Israel contra o Irã, exigindo respeito ao direito internacional.

Outros países da região, como Egito, Omã, Líbano e os membros do Conselho de Cooperação do Golfo, condenaram tanto o ataque do Irã ao Catar quanto a escalada iniciada, segundo eles, pelas “práticas irresponsáveis” de Israel em Gaza, Cisjordânia, Líbano, Síria e no próprio Irã.

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Perspectivas: fim da guerra ou jogo de cena?

Apesar do tom otimista de Trump, analistas internacionais alertam que o anúncio do cessar-fogo pode ser mais uma jogada política do presidente americano, que tenta capitalizar a crise militar como trunfo eleitoral e diplomático. Até o momento, o Irã e Israel mantêm operações militares em andamento e nenhuma autoridade iraniana confirmou o “acordo total”.

Em Tel Aviv e Teerã, os moradores seguem em estado de alerta. Israel emitiu novas ordens de evacuação para regiões estratégicas, enquanto o Irã orientou cidadãos de Ramat Gan, perto de Tel Aviv, a deixarem a área.

Diante da fragilidade do cessar-fogo e do cenário de extrema volatilidade, o Oriente Médio segue à beira de uma nova ruptura — ou de uma trégua momentânea, costurada sob o fio tênue do interesse político.

A guerra pode até ter uma “data para terminar”, mas as contradições e os interesses em jogo permanecem. Acompanhe os bastidores e as próximas movimentações aqui no Blog do Esmael.