O presidente dos EUA, Donald Trump afirmou que os ataques contra o Irã continuarão até que Washington alcance “todos os objetivos”, enquanto o Irã reage com mísseis e drones e a guerra já se espalha pelo Golfo, com novas explosões registradas em Dubai, Doha e Manama.
A escalada ganhou um dado duro no domingo (1): o Comando Central dos EUA (CENTCOM) informou que três militares americanos morreram e cinco ficaram gravemente feridos na operação, em um raro retrato oficial de custo humano do lado americano nas primeiras horas da campanha.
Trump evita listar publicamente quais seriam os “objetivos”, mas o discurso político avançou para além do campo militar. Na cobertura ao vivo, aparece também o apelo para que iranianos derrubem o regime, o que transforma bombardeio em pressão aberta por mudança de poder e eleva o risco de radicalização e represália por procuração.
Do lado iraniano, o recado é de continuidade institucional após a morte do aiatolá Ali Khamenei. A narrativa de Teerã é que o sistema “não depende de um indivíduo” e que os ritos previstos para a escolha de um novo líder supremo seguem em marcha, sob guerra e com a internet severamente restringida, segundo relatos.
É aqui que entra a pergunta central sobre eventual erro de cálculo de Trump. O Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) e as forças Basij não funcionam como uma estrutura que desaba com um único golpe na cúpula, porque operam em rede, com capilaridade territorial e mecanismos de recomposição de comando. Em sistemas securitários, “decapitação” pode produzir fechamento de fileiras e endurecimento interno, não necessariamente colapso.
O que já é concreto, sem depender de palpite, é o efeito dominó regional. As explosões relatadas em Emirados Árabes Unidos, Qatar e Bahrein sinalizam que o conflito está testando hubs financeiros, rotas aéreas e infraestrutura crítica, empurrando governos do Golfo para decisões de emergência.
A crise também pressiona aliados. O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, afirmou que aceitou pedido dos EUA para uso de bases britânicas em “ataques defensivos” ligados à ameaça de mísseis iranianos, um movimento que amplia o perímetro político do conflito, ainda que Londres tente separar isso da ofensiva inicial.
No quadro geral, o risco é a guerra virar uma esteira: cada dia sem “saída” empurra mais países para ações defensivas, mais retaliações e mais vítimas civis, com o Golfo no meio do fogo cruzado. A aposta de Trump parece ser que choque militar abre janela para rearranjo interno em Teerã, mas IRGC e Basij foram desenhados justamente para sobreviver ao choque e administrar o caos.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




