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Trump amplia guerra contra o Irã, fogo chega a Dubai e petróleo dispara

O presidente Donald Trump ampliou nesta segunda-feira (16) a pressão militar e diplomática na guerra conduzida pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irã, enquanto ataques com drones provocaram incêndios perto do aeroporto de Dubai e na zona petrolífera de Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos, empurrando a crise para o coração logístico e energético do Golfo. O efeito imediato foi a alta do petróleo, a nova tensão no Estreito de Ormuz e mais risco inflacionário para o mundo, inclusive para o Brasil.

A nova fase do conflito deixou de ser apenas uma troca de bombardeios entre Israel, Estados Unidos e Irã. Agora, a guerra passou a atingir infraestrutura estratégica de transporte aéreo, armazenamento de combustíveis e rotas marítimas decisivas para o comércio global de energia. Em Dubai, um ataque com drone incendiou um tanque de combustível e forçou a suspensão temporária das operações do aeroporto, que depois retomou voos de forma parcial. Em Fujairah, outro ataque provocou incêndios e levou à suspensão de carregamentos de petróleo num dos principais polos de estocagem e exportação fora do gargalo de Ormuz.

No plano militar, Israel anunciou hoje uma nova onda de ataques em larga escala contra alvos no Irã, incluindo Teerã, Shiraz e Tabriz, e informou também o início de operações terrestres limitadas no sul do Líbano contra o Hezbollah. O movimento indica que a guerra já transbordou o eixo inicial e abre uma frente regional cada vez mais difícil de conter.

Ao mesmo tempo, Trump elevou a chantagem geopolítica sobre aliados. Em entrevista reportada pela Reuters, ele advertiu que a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) teria um “futuro muito ruim” se os parceiros dos EUA não ajudarem a reabrir o Estreito de Ormuz. O republicano também pressionou China, Reino Unido, França, Japão e Coreia do Sul a contribuírem militarmente para proteger a rota, por onde normalmente passa cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito do planeta.

Só que a resposta internacional até aqui é fria. Japão e Austrália já sinalizaram que não pretendem enviar meios navais para a operação desejada por Washington, e a Alemanha também não vê papel da OTAN nessa missão. Na prática, Trump tenta internacionalizar o custo político e militar de uma guerra que seu próprio governo ajudou a aprofundar.

O mercado captou o recado imediatamente. O barril do Brent voltou a girar acima de US$ 106 nesta segunda-feira, com investidores precificando não só a continuidade da guerra, mas a possibilidade de uma crise prolongada de oferta e logística. A Reuters também relata que o choque já embaralha as apostas dos bancos centrais nesta semana, porque energia cara volta a pressionar a inflação justamente quando várias economias buscavam algum alívio monetário.

Esse é o ponto central para o Brasil.

Quando o petróleo sobe e o Estreito de Ormuz trava, a pressão chega aqui por vários canais: diesel, frete, fertilizantes, alimentos e expectativas de inflação. Mesmo sem ruptura imediata de abastecimento interno, a escalada no Golfo encarece o custo global da energia e dá munição aos setores da oligarquia financeira que defendem juros altos por mais tempo.

Há ainda um efeito político global. O governo Trump tenta vender a narrativa de que a escalada seria necessária para neutralizar a capacidade militar iraniana e garantir a navegação. Mas os fatos desta segunda mostram o contrário: a guerra está se espalhando, civis seguem expostos, novos países entram na zona de risco e os danos se aproximam de centros vitais da economia mundial.

A conta tende a recair, mais uma vez, sobre a população.

Nos Emirados, os incêndios já atingem a rotina da aviação e da logística. No Líbano, a abertura de uma nova etapa terrestre por Israel amplia o risco de atoleiro regional. No mercado, o barril acima de US$ 100 reacende o fantasma inflacionário. E, no campo diplomático, os EUA pressionam aliados a dividir uma guerra cujo horizonte de saída segue nebuloso.

Dito isso, o desdobramento mais grave desta segunda-feira não é apenas o fogo em Dubai ou Fujairah. É o fato de a guerra ter deixado de ser um confronto localizado para atingir a circulação global de energia, comércio e preços. Quando isso acontece, o Oriente Médio deixa de ser “tema externo” e passa a sentar à mesa do supermercado, do posto de combustíveis e das decisões sobre juros no Brasil. Continue acompanhando os bastidores da política e do poder pelo Blog do Esmael.

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