Governo Lula reage à adesão da base ao PL da Anistia
O Palácio do Planalto está em constante em estado de alerta. A adesão de parlamentares da base ao polêmico PL da Anistia — que pretende perdoar os envolvidos nos ataques golpistas de 8 de janeiro — acende o sinal vermelho no coração do governo Lula (PT).
A reação veio como raio: “Toda traição será castigada”, avisa o Planalto. A frase ecoa nos corredores da Esplanada e na Câmara, direcionada àqueles que, com um pé no governo e outro no bolsonarismo, assinaram o pedido de urgência do projeto de lei 2858/2022.
A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, puxou o freio de mão. Com o mapa completo das indicações feitas por deputados da base — inclusive cargos federais e emendas parlamentares — ela articula nos bastidores uma resposta dura.
Segundo fontes do governo, a adesão à anistia foi “precificada” por alguns partidos. O recado é claro: quem joga contra o governo pode perder o privilégio.
Partidos com ministérios — como União Brasil, PSD, MDB e PP — figuram entre os maiores traidores da confiança do Planalto. Só o União teve 40 dos seus 59 deputados apoiando o requerimento de urgência.
Lindbergh Farias, líder do PT na Câmara, foi direto ao ponto:
O deputado mencionou o Plano Punhal Verde e Amarelo, revelado pela Polícia Federal, que previa o assassinato do presidente, do vice Geraldo Alckmin e do ministro Alexandre de Moraes (STF).
Lindbergh ainda acusou os parlamentares da base que assinaram a proposta de obstrução de Justiça, crime previsto na legislação penal brasileira.
O Planalto aposta em três frentes para barrar o avanço da proposta:
- Pressão sobre os signatários para que retirem o apoio;
- Mobilização de ministros e governadores para constranger os “traidores”;
- Ação política do presidente da Câmara, Hugo Motta, para não pautar o projeto no plenário.
Mesmo que a retirada de assinaturas não tenha valor regimental, o gesto pode dar argumento suficiente para enterrar o requerimento. O colégio de líderes, nesse contexto, será decisivo.
PL da Anistia e a crise política
O que é o PL da Anistia?
É o Projeto de Lei 2858/2022, que prevê anistia para todos os envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro.
Quem assinou o pedido de urgência?
264 deputados, sendo 61% da base do governo e 55% de partidos com ministros no governo Lula.
O governo pode punir esses parlamentares?
Sim, retirando cargos e indicações políticas feitas por eles e seus aliados.
Gleisi Hoffmann lidera essa reação?
Sim, ela coordena a articulação política e já iniciou conversas diretas com partidos e líderes parlamentares.
O projeto pode ser barrado?
Sim, caso o presidente da Câmara não leve ao plenário ou se um novo pedido com 132 assinaturas retirar o apoio.
A crise escancara o dilema da governabilidade no presidencialismo de coalizão. O governo Lula precisa de votos para aprovar reformas, mas enfrenta uma base fisiológica, que, em vez de apoiar, avança na contramão.
O PL da Anistia virou teste de fidelidade — e, ao que parece, muitos parlamentares reprovaram.
O Palácio agora tem nas mãos a escolha: passar pano ou cortar na carne?
Esmael Morais
Jornalista, advogado e editor do Blog do Esmael
Especialista em bastidores do poder e justiça social. Acompanhe também nas redes sociais e receba as atualizações em tempo real.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




