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Brasil enfrenta tarifaço dos EUA: Lula reage, economia sente, prazo se esgota

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Faltam apenas três dias para que entre em vigor a tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. A medida, anunciada por Donald Trump em carta pessoal a Luiz Inácio Lula da Silva (PT), marca uma nova fase de tensão comercial e diplomática entre os dois países.

O tarifaço, que passa a valer a partir de 1º de agosto, é justificado por Trump como uma retaliação à forma como o Brasil “tratou” o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), preso e investigado por tentativa de golpe. O republicano declarou que a decisão é uma correção à “relação injusta” com o Brasil, chegando a ameaçar novas retaliações caso o governo Lula responda com medidas semelhantes.

Governo brasileiro tenta negociar, mas portas seguem fechadas

O clima no Palácio do Planalto é de ceticismo. Apesar das movimentações diplomáticas e da disposição pública de Lula para conversar diretamente com Trump, fontes do governo admitem que os canais estão fechados. O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) tentou interlocução com o secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, mas sem avanço concreto.

“Não vamos aceitar interferência externa nas decisões do STF ou no funcionamento do Pix”, disse uma fonte direta do entorno de Lula.

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, está em Nova York cumprindo agenda oficial na ONU. Ele condiciona uma visita a Washington a um sinal claro da Casa Branca de que deseja retomar o diálogo.

Senado em missão nos EUA, mas Trump ignora

Uma comitiva de senadores brasileiros liderada por Nelsinho Trad (PSD-MS) está em Washington desde a semana passada. Nesta terça-feira (29), eles têm reuniões marcadas com deputados democratas e republicanos. No entanto, não há qualquer reunião prevista com representantes diretos do governo Trump.

Nos bastidores, a expectativa é de que o presidente dos EUA só abra negociações após a entrada em vigor das tarifas, quando acredita ter maior poder de barganha.

Eduardo Bolsonaro sabota negociações

Enquanto o Congresso brasileiro tenta abrir diálogo, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) atua nos bastidores para frustrar qualquer aproximação. Em entrevista ao SBT News, ele afirmou trabalhar para que “não haja acordo” entre os senadores brasileiros e autoridades dos EUA.

Segundo o filho do ex-presidente, Trump está respondendo a uma “perseguição política” contra Jair Bolsonaro e contra “valores conservadores”. Ele ainda acusou o STF e o governo brasileiro de “violações de direitos”.

A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, respondeu afirmando que a prioridade do Brasil é enfrentar supertaxação do Trump, resultado da traição bolsonarista ao país.

Setores afetados: 10 mil empresas e 3,2 milhões de empregos

Segundo a Amcham Brasil, cerca de 10 mil empresas brasileiras que exportam para os Estados Unidos serão diretamente impactadas. Juntas, essas companhias empregam 3,2 milhões de pessoas.

Alckmin alertou que o tarifaço prejudica também empresas americanas instaladas no Brasil, como General Motors, Johnson & Johnson e Caterpillar, que operam de forma integrada com o mercado americano.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, anunciou que prepara um plano de contingência para proteger os setores mais vulneráveis. “Não vamos deixar os trabalhadores brasileiros desamparados”, afirmou.

Impactos imediatos no mercado: carne, frutas e café já sentem os efeitos

A sobretaxa já está alterando o cenário econômico. Os preços da carne bovina e das frutas destinadas à exportação recuaram no atacado. Segundo o Cepea, o boi gordo caiu cerca de 7,5% entre junho e julho. Mangas e uvas típicas para exportação apresentaram queda de até 30% nos preços no Vale do São Francisco.

Já o café segue caminho oposto. Como o Brasil responde por 30% das exportações globais, a tarifa elevou a cotação do grão em Nova York em quase 7%, puxando os preços internos.

embraer-e-alimentos-podem-ser-excluidos”>Embraer e alimentos podem ser excluídos

O governo brasileiro tenta negociar ao menos a exclusão da Embraer e dos alimentos do tarifaço. A medida evitaria impactos ainda mais graves na balança comercial e no mercado interno. No entanto, não há sinais de que Trump vá ceder.

Entre os países que conseguiram acordos com Washington estão Reino Unido (10% de tarifa), União Europeia e Japão (15%), Indonésia (19%) e Vietnã (20%). O Brasil, até agora, permanece com os 50% anunciados.

O que o Brasil pode fazer?

Especialistas apontam que o único caminho jurídico para barrar o tarifaço é recorrer ao Tribunal de Comércio Internacional dos EUA, com apoio de empresas americanas afetadas. A OMC também pode ser acionada, mas o processo é lento e sem poder de imposição.

A expectativa é que grandes multinacionais que operam no Brasil ajudem a pressionar a Casa Branca por um recuo. Enquanto isso, o tempo corre: o tarifaço entra em vigor em 1º de agosto.

Acompanhe o Blog do Esmael para mais atualizações sobre o impacto do tarifaço nos preços, na política e nas exportações brasileiras.

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