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Lula cresce na crise com tarifaço de Trump

Faltam poucos dias. A quinta-feira, 1º de agosto, virou a nova Quarta-feira de Cinzas da economia brasileira. É quando começa a valer, se nada mudar, a sobretaxa de 50% imposta por Donald Trump sobre produtos exportados pelo Brasil. Uma bomba-relógio tarifária com hora marcada.

Mas o que o ex-presidente Jair Bolsonaro tem a ver com soja, carne ou celulose? Tudo. É justamente aí que mora o estopim do escândalo. O tarifaço americano virou chantagem diplomática explícita: ou o Supremo Tribunal Federal (STF) encerra o julgamento do capitão, ou o Brasil vai pagar a conta no comércio internacional.

O que parecia uma manobra ensaiada entre aliados se tornou, na prática, uma tentativa de golpe por meios econômicos. E, ironicamente, abriu espaço para um movimento que poucos imaginavam: setores da direita, até bolsonaristas mais pragmáticos, começam a rever seus posicionamentos. Não por amor ao Estado democrático de direito, mas por instinto de sobrevivência. O bolso fala mais alto que o X, antigo Twitter.

É nesse cenário adverso que Lula, retirante nordestino, opera com a astúcia de quem aprendeu desde cedo a fazer do caos uma trincheira. Não recua. Pelo contrário, avança. Cresce politicamente como quem surfa num mar revolto, e sorri quando vê que até adversários históricos estão pegando carona em sua prancha.

Enquanto o bolsonarismo joga com chantagem, Lula joga com diplomacia. Mais de 40 países já declararam apoio ao Brasil contra o tarifaço, num gesto de solidariedade inédita. A retórica agressiva de Trump, nesse xadrez global, só evidenciou o isolamento americano e devolveu a Lula o protagonismo que ele tanto aprecia no tabuleiro internacional.

Os corredores do poder em Brasília andam inquietos. Não só pelo impacto bilionário que o tarifaço pode gerar no agronegócio e na indústria. Mas porque, politicamente, Lula ganha tração onde menos se esperava: entre os setores que, até ontem, gritavam por intervenção militar e ovacionavam o ex-presidente de farda e fake news.

Lula, ao contrário, não grita. Constrói. Não impõe. Agrega. E neste momento de tensão máxima entre economia, geopolítica e instituições, vai escrevendo uma nova página na história recente do país, onde as palavras “soberania” e “respeito internacional” voltam a ter valor de verdade.

Se a tarifa de Trump vier, virá como golpe. Mas será também boomerangue. Porque em vez de enfraquecer o Brasil, poderá fortalecer sua democracia, seu presidente e até a capacidade do país de se reorganizar no mundo. E o que era para ser crise pode, mais uma vez, virar oportunidade.

Lula cresce. E com ele, o Brasil resiste.

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