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Tarcísio assume coordenação de Flávio em SP e blinda vice

O senador Flávio Bolsonaro (PL) saiu do Palácio dos Bandeirantes dizendo que o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) se ofereceu para coordenar sua campanha presidencial em São Paulo e que a escolha do vice na chapa paulista é “pessoal” do governador. A fala tenta encerrar o ruído que vinha corroendo a pré-candidatura de Flávio no maior colégio eleitoral do país, onde o bolsonarismo precisa de palanque afinado e de comando único.

Segundo a Folha, Flávio relatou que ouviu de Tarcísio algo como “deixa comigo” para cuidar de São Paulo, numa sinalização de que o governador assumirá a linha de frente da operação política no estado. No mesmo pacote, o senador afirmou que caberá a Tarcísio decidir quem será seu vice, em meio à pressão do PL para emplacar o presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, André do Prado (PL).

A cena tem duas faixas. A primeira é prática: São Paulo não pode virar flanco para o bolsonarismo, porque qualquer divisão ali contamina a vitrine nacional. A segunda é de poder: ao dizer que o vice é decisão do governador, Flávio tenta evitar que o PL transforme a escolha em plebiscito interno, com disputa pública, chantagem de bancada e recados cruzados.

A Folha também aponta que ficou combinado um grande evento em São Paulo para 30 de março, reunindo lideranças estaduais para “definir os pré-candidatos”. O anúncio dá calendário e cria uma espécie de marco para enquadrar as ambições que estão soltas dentro do campo bolsonarista, sobretudo na briga por espaço na chapa paulista.

No pano de fundo, a reaproximação responde a uma crise recente. Desde o fim do ano passado, Tarcísio era cobrado por aliados de Jair Bolsonaro (PL) por não declarar apoio enfático a Flávio, e havia ruído sobre ressentimento por não ter sido o escolhido para disputar o Planalto. A tensão escalou quando, ainda segundo a Folha, Tarcísio cancelou uma visita a Bolsonaro na Papuda após o episódio ser tratado como um “enquadramento” do ex-ministro.

A saída encontrada agora é uma fotografia de unidade. Na Assembleia Legislativa, Tarcísio se referiu a Flávio como “futuro presidente” e reforçou identidade ideológica, dizendo ter orgulho de ser de direita. Flávio, por sua vez, disse que democracia tem defeitos, mas é o melhor sistema, e buscou discurso de ordem, com segurança pública, leis penais mais duras e acenos ao eleitorado feminino ao falar de crimes contra mulheres.

A reportagem da Folha registra que o senador também entrou na pauta da manifestação de domingo (1º), na avenida Paulista, ao reconhecer como “válido” o mote “fora Toffoli”, impulsionado por Nikolas Ferreira (PL-MG), apesar da resistência de setores bolsonaristas que preferem concentrar o ato na anistia aos presos do 8 de janeiro. Ao ser provocado sobre impeachment de ministro, Flávio disse que assina pedido contra qualquer um que tenha cometido crime, mas reclamou que “as coisas não andam”.

O encontro também tem leitura partidária. Flávio participou de homenagem ao presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, numa Alesp que virou palco de demonstração de força. Valdemar é investigado no STF, lembra o jornalão paulistano. Na prática, o recado é que o PL quer disciplina e hierarquia, com Tarcísio como operador em São Paulo e Flávio como referência nacional do grupo.

O nó que fica é o vice. O bolsonarismo quer amarrar a chapa paulista para reduzir risco de “dupla lealdade” e evitar que aliados locais usem a vice como moeda para negociar distância do Planalto. Já Tarcísio, ao defender que a decisão é “pessoal”, preserva autonomia e protege seu próprio projeto de reeleição, sem entregar o comando da engenharia paulista de bandeja para Brasília.

Os bolsonaristas temem que Gilberto Kassab, secretário de Governo de São Paulo e presidente nacional do partido, se for ungido na vice de Tarcísio, torça o nariz para o palanque presidencial de Flávio. Não é detalhe: o PSD divide poder com o PT em vários estados e ocupa cargos no governo Lula (PT), o que mantém Kassab com um pé no Planalto.

Para completar, Kassab ainda joga com mais de uma carta na mesa, com Ratinho Júnior (PR). Ronaldo Caiado (GO) e Eduardo Leite (RS) como presidenciáveis do partido, um menu que pode atrapalhar a caminhada de Flávio na direita conservadora.

No balanço, a frase “deixa comigo” é mais do que gentileza. É a tentativa de selar um pacto: São Paulo vira quartel-general da campanha presidencial de Flávio, e Tarcísio ganha espaço para escolher o vice sem tutela. O bolsonarismo quer fechar a porteira antes que a disputa interna vire manchete permanente.

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