O Supremo Tribunal Federal (STF), alvo frequente de ataques durante o primeiro turno das eleições de 2026, foi citado apenas três vezes no debate entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), realizado pela Band em 18 de outubro. O contraste indica que a disputa presidencial entrou na reta final concentrada em acusações pessoais, segurança pública e economia, enquanto a pressão política sobre a corte perdeu espaço no confronto direto.
O levantamento sobre o debate contabilizou três menções ao STF durante cerca de duas horas de transmissão. Flávio acusou Lula de indicar aliados para proteger familiares e correligionários e afirmou que, se eleito, adotaria outro critério para escolher ministros. Lula negou interferência na Justiça e respondeu citando a condenação do ex-deputado Eduardo Bolsonaro.
A diferença de tom chama atenção porque o STF ocupou lugar central na campanha de candidatos bolsonaristas ao Senado no primeiro turno. A defesa do impeachment de ministros foi uma das bandeiras apresentadas por integrantes desse campo político. No debate presidencial, porém, o tema não ganhou bloco próprio nem estruturou a maior parte das perguntas.
O dado não prova que a estratégia contra o Supremo tenha sido abandonada. Mostra apenas que a corte recebeu espaço limitado naquele confronto específico. Para concluir se houve mudança duradoura de estratégia, será necessário observar os discursos de campanha, entrevistas e atos públicos dos candidatos nos dias anteriores à votação.
As referências ao STF apareceram junto de acusações sobre investigações envolvendo familiares e aliados dos candidatos. Essas falas devem ser tratadas como declarações atribuídas, não como prova de irregularidades. Suspeitas e acusações exigem apuração independente e documentação judicial para que se possa afirmar a existência de crime.
A reta final do segundo turno, com votação marcada para 25 de outubro, deixa pouco tempo para que os candidatos detalhem propostas. A baixa presença do STF no debate pode refletir a escolha de priorizar temas considerados mais próximos da vida cotidiana do eleitor, mas essa leitura é uma hipótese política, não um fato comprovado pela contagem de menções.
O Blog do Esmael continuará acompanhando o uso eleitoral das instituições e a relação entre discurso de campanha e fatos documentados. Leia também a checagem das declarações feitas no debate da Band: o que Lula e Flávio disseram sobre Vorcaro, PIB e inflação.
Continue acompanhando a cobertura do segundo turno no Blog do Esmael.

Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




