Soraya Thronicke pede vitória de Lula no 1º turno
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Soraya Thronicke lulou após romper com Bolsonaro em 2026

A senadora Soraya Thronicke (PSB-MS) declarou apoio à reeleição do presidente Lula (PT) nesta terça-feira (26), disse ter “sentido na pele” o descaso do governo Jair Bolsonaro (PL) e transformou sua guinada em arma contra o bolsonarismo na disputa de 2026.

No idioma das redes, Soraya lulou. No idioma da política, uma ex-aliada de Bolsonaro saiu da trincheira de 2018, entrou no PSB e passou a pedir voto para Lula no momento em que a direita tenta reorganizar a sucessão presidencial.

Soraya cumpre mandato no Senado por Mato Grosso do Sul desde 2019 e aparece no cadastro oficial da Casa como integrante do PSB, dentro do Bloco Parlamentar da Resistência Democrática. O mandato dela vai até 2027.

A frase que incendiou a pauta saiu em evento no assentamento Monjolinho, em Anastácio, no Mato Grosso do Sul. Soraya afirmou que Lula a deixou “de queixo caído” pela humanidade e pela forma de agir. Também disse que o país precisa de mais tempo para reconstrução e defendeu a reeleição do petista já no primeiro turno.

O dado político não está só no elogio. Está na origem de quem elogia. Soraya foi eleita em 2018 pelo PSL, partido pelo qual Bolsonaro chegou ao Planalto, e construiu sua primeira largada nacional no campo conservador.

Depois, rompeu com Bolsonaro, disputou a Presidência da República em 2022 pelo União Brasil e terminou aquela eleição em quinto lugar, com 0,51% dos votos válidos. Em abril de 2026, deixou o Podemos e se filiou ao PSB.

A fala mais dura contra o ex-presidente veio na comparação direta. Soraya afirmou que sentiu o descaso do governo Bolsonaro e justificou a mudança de lado sem tratar a virada como constrangimento. A frase é ruim para o bolsonarismo porque vem de uma personagem que participou da onda eleitoral de 2018.

A senadora já havia dado o passo anterior em março. Na época, Soraya disse que recebeu apoio de Lula para tentar a reeleição ao Senado por Mato Grosso do Sul e afirmou que pretende combater o que chamou de “seita bolsonarista”. A eleição de 2026 renovará duas vagas por estado no Senado.

O PT também terá Vander Loubet (PT) na disputa e Soraya será a opção de Lula para a segunda vaga. A equação interessa ao Planalto porque o Senado virou peça central da disputa institucional de 2026.

Soraya tenta vender sua mudança como flexibilidade, não como adesão automática ao PT. Ela se define como liberal em parte das pautas, defende atuação do Estado quando necessário e usa a expressão “Soraya Flex” para explicar a travessia entre campos políticos rivais.

Esse limite precisa ficar claro. Soraya declarou apoio a Lula, mas isso não autoriza afirmar que ela virou petista, abandonou todas as pautas conservadoras ou passou a integrar organicamente o campo histórico da esquerda. O fato confirmado é o apoio eleitoral a Lula e a filiação ao PSB.

Para Lula, a vantagem é simbólica e eleitoral. Uma senadora eleita na maré bolsonarista de 2018 agora aparece dizendo que o presidente merece mais quatro anos. Isso ajuda o Planalto a falar com eleitores que não vieram da esquerda e que se cansaram do radicalismo bolsonarista.

Para Bolsonaro, o dano é de narrativa. O ex-presidente tenta manter a direita cercada em torno do sobrenome, mas perde uma ex-aliada para o campo de Lula justamente no ano em que seus herdeiros políticos precisam provar viabilidade eleitoral.

A leitura também interessa ao Paraná. O Blog do Esmael vem mostrando a fragmentação da direita em 2026, com Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Sergio Moro (PL), Aécio Neves (PSDB), Ratinho Junior (PSD) e outros personagens disputando espaço no mesmo eleitorado antipetista.

Soraya não decide a eleição nacional sozinha. Mas sua virada mostra que a cerca bolsonarista tem buracos, especialmente quando a disputa passa pelo Senado, onde cada estado escolhe dois nomes e as alianças locais podem pesar tanto quanto a polarização presidencial.

O lulou de Soraya é uma notícia pequena no tamanho da frase e grande no estrago político. Uma ex-senadora do Bolsonaro, agora no PSB, pede voto para Lula e entrega ao Planalto uma peça rara: o depoimento público de quem saiu da direita dizendo que não quer voltar.

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