Início / Eleições 2026

Sandro Alex abre fogo contra Moro e Ratinho tenta vender crescimento em dia de pesquisa

Sandro Alex atacou Sergio Moro nesta quarta-feira (10 de junho), no mesmo dia em que a Paraná Pesquisas mostrou o ex-juiz na liderança da disputa pelo governo do Paraná; Ratinho Junior defendeu o desempenho do aliado e disse que o pré-candidato saiu de 3% para dois dígitos em cerca de 30 dias.

O deputado federal Sandro Alex (PSD), pré-candidato de Ratinho Junior ao governo do Paraná, abriu fogo contra o senador Sergio Moro (PL) no dia em que a Paraná Pesquisas confirmou o ex-juiz na liderança da corrida pelo Palácio Iguaçu.

O ataque foi lido pelo comitê de pré-campanha de Moro como “desespero” do Palácio Iguaçu.

A fala de Sandro expõe o novo estágio da sucessão estadual. O candidato de Ratinho deixou o discurso apenas administrativo e passou a bater diretamente no favorito das pesquisas.

Na Paraná Pesquisas divulgada nesta quarta-feira, Moro aparece com 42,3% no cenário estimulado com Rafael Greca (MDB). Requião Filho (PDT) tem 19,9%, Greca marca 13,9% e Sandro Alex registra 10,7%.

No cenário sem Greca, Moro sobe para 47,3%. Requião Filho vai a 23,5%. Sandro Alex chega a 12,8%. A distância entre Moro e Sandro, nesse recorte, é de 34,5 pontos percentuais.

O levantamento PR-06978/2026 ouviu 1.500 eleitores em 56 municípios entre os dias 7 e 9 de junho. A margem de erro é de 2,6 pontos percentuais.

Sandro tentou deslocar Moro para Brasília.

“Ele pode ficar tranquilo e continuar sendo senador do Paraná, porque ele foi eleito para oito anos”, afirmou.

O candidato de Ratinho disse que combater a corrupção e o PT é obrigação de Moro no Senado, não no governo estadual.

“Combater a corrupção e o PT em Brasília, porque aqui eles não vão governar. Nós estaremos dando continuidade ao trabalho do governador Ratinho Junior e transformando o estado do Paraná”, disse Sandro.

A frase tem alvo certo. Sandro tenta dizer ao eleitor que Moro representa a briga nacional, enquanto ele representaria a continuidade da gestão Ratinho no Paraná.

“Nós não precisamos das brigas de Brasília aqui no Paraná. O Paraná caminha a passos largos. Esta discussão lá de Brasília cabe ao Senado”, afirmou.

A crítica pega no ponto mais sensível da pré-campanha de Moro. O ex-juiz lidera a disputa estadual com capital político nacional, construído na Operação Lava Jato, no antipetismo e no embate com Brasília. Sandro tenta transformar esse ativo em passivo.

O candidato do Palácio Iguaçu também atacou a capacidade administrativa do senador.

“Senado é um lugar muito importante e ele quer abrir mão desta cadeira, que o Paraná não pode abrir mão, para vir aqui fazer algo que ele não está preparado e não tem equipe para isso. Acho que cada um no seu lugar. Nós vamos continuar avançando no Paraná”, declarou.

Sandro ainda aproveitou a fala para defender Alexandre Curi (PSD), presidente da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) e nome do grupo de Ratinho para o Senado.

“Aqui apoio o pré-candidato Alexandre Curi, para que não só faça o trabalho de princípios, mas também defenda o Estado em propostas que são importantes e estão esquecidas pelos nossos senadores”, disse.

A bordoada coloca Moro em duas posições desconfortáveis: como senador que, segundo Sandro, não defenderia suficientemente o Paraná; e como pré-candidato que, ainda segundo Sandro, não teria preparo nem equipe para governar.

Ratinho Junior entrou em campo para proteger o aliado.

O governador minimizou a ansiedade com pesquisas e recorreu à Copa do Mundo para tentar tirar peso da fotografia eleitoral.

“Olha, eu estou preocupado também com a Copa do Mundo, que eu quero que o Brasil ganhe”, afirmou Ratinho.

Em seguida, o governador defendeu que Sandro está crescendo nas sondagens desde que foi escolhido pelo grupo governista.

“As pesquisas, a gente hoje tem diversas pesquisas. A parte muito positiva, que é boa, é que o nosso candidato, o pré-candidato, tem crescido em todas elas. Nós lançamos ele, o nome escolhido do Sandro Alex, faz 20, 30 dias, e desde lá saiu de três e já passou os dois dígitos. É um bom sinal”, disse.

Ratinho aposta que o desconhecimento relativo de Sandro será reduzido com o avanço da pré-campanha.

“É um bom sinal que as pessoas, com o tempo, vão percebendo quem é o nosso candidato, o candidato que nós estamos escolhendo para dar continuidade a esse trabalho”, afirmou o governador.

A leitura de Ratinho é que o eleitor comum ainda não entrou de vez na eleição estadual.

“Obviamente que, no momento eleitoral, as pessoas ficam mais atentas a isso. Agora, quem fica mais atento são os políticos mesmo”, completou.

A defesa de Ratinho tenta transformar o número de Sandro em curva de crescimento. O problema é que a pesquisa também mostra Moro com larga vantagem e confirma que o candidato do Palácio Iguaçu ainda depende da transferência de prestígio do governador.

O Palácio Iguaçu tem máquina, prefeitos, deputados, obras e estrutura partidária. Moro tem liderança inicial, recall nacional e voto antipetista consolidado.

Esse é o conflito real da eleição no Paraná.

Sandro quer transformar a disputa em plebiscito sobre a continuidade de Ratinho. Moro quer transformar a eleição em julgamento sobre corrupção, segurança e PT.

Requião Filho observa a briga entre direita governista e direita lavajatista com interesse direto. Quanto mais Sandro e Moro se atacam, mais a oposição tenta se apresentar como alternativa ao modelo que governa o Paraná e ao projeto nacionalizado do ex-juiz.

A fala de Sandro mostra que o governo estadual já escolheu seu alvo principal. A resposta do entorno de Moro mostra que o ex-juiz pretende explorar a distância nas pesquisas para carimbar o ataque como nervosismo.

A sucessão de Ratinho entrou na fase da pancada. Pelo andar da carruagem, venceu o estilo ‘tiro, porrada e bomba’ ao invés de ‘unidos e em paz’.

A pesquisa não decide a eleição, mas explica o tom. Quem está atrás precisa crescer. Quem está na frente precisa se defender sem parecer acuado.

Leia mais análises sobre as eleições de 2026 no Blog do Esmael.

Leia também no Blog do Esmael: Veritá inclui Greca e Cristina em pesquisa no Paraná; Caiado testa palanque de Ratinho em encontro na ACP; Luz e água fazem Curitiba superar inflação nacional