O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) rejeitou de forma categórica a sugestão do partido Missão para que desista de sua postulação à Presidência da República, ironizando a trajetória empresarial do dirigente da sigla, Renan Santos, durante agenda com lideranças empresariais realizada em Curitiba nesta sexta-feira, 7 de agosto.
A manifestação de Zema ocorreu após Renan Santos afirmar, em transmissão nas redes sociais, que o candidato do Novo deveria abrir mão da disputa para compor uma frente única sob a liderança do Missão, com o objetivo de excluir Flávio Bolsonaro do segundo turno das eleições gerais de outubro de 2026. O mineiro, que declarou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) um patrimônio líquido de R$ 178,7 milhões, questionou publicamente se o líder do MBL “já produziu algo de valor no setor privado” e garantiu que manterá sua chapa pura com o senador Eduardo Girão (Novo-CE).
O palco paranaense escolhido para o embate evidencia a disputa fratricida pelo voto conservador e de classe média na Região Sul do país, tradicional celeiro eleitoral da centro-direita. Ao cravar sua permanência no pleito, Zema tenta minar o crescimento do Missão e afastar o estigma de que sua candidatura é meramente auxiliar no xadrez nacional, ao mesmo tempo em que o grupo ligado ao MBL tenta se vender como a única alternativa capaz de unificar o sentimento antipetista sem herdar o desgaste judicial da família Bolsonaro.
A fragmentação da oposição à direita no eleitorado do Paraná favorece diretamente as pretensões eleitorais da base aliada de Lula (PT) no estado, que assiste à dispersão dos votos conservadores entre três frentes competitivas: Flávio Bolsonaro, Romeu Zema e a candidatura jovem do Missão liderada por Renan Santos. Sem uma coordenação nacional unificada, as chapas disputam espaço nos palanques locais dos partidos do bloco do Centrão, que evitam compromissos definitivos enquanto a viabilidade eleitoral de cada candidatura não é provada nas urnas.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




