Irã enfrenta uma escalada de repressão enquanto protestos se espalham pelo país, com relatos de disparos letais contra manifestantes e um apagão quase total de comunicações que dificulta a checagem independente do número de mortos. As informações são do jornal americano The New York Times.
Apagão de internet limita verificação e amplia incerteza
Autoridades iranianas bloquearam internet e, em momentos, conexões móveis domésticas e ligações internacionais, o que reduziu drasticamente o fluxo de imagens e relatos para fora do país. Especialistas em monitoramento de rede classificaram o corte como um dos mais severos e alertaram para riscos de vigilância quando parte das comunicações por linha fixa volta a funcionar.
Relatos descrevem tiros e pressão sobre hospitais
Testemunhas e profissionais de saúde descreveram uma mudança no padrão de ferimentos, com pacientes chegando antes com lesões por munição não letal e, depois, com ferimentos por armas de fogo. Há relatos de emergências sobrecarregadas e de atendimentos simultâneos a múltiplas vítimas.
Contagem de mortos varia de centenas a milhares
A dimensão das mortes e feridos segue incerta. Organizações de direitos humanos relataram centenas de mortos confirmados, enquanto autoridades americanas citaram estimativas conservadoras acima de 600 vítimas. Uma autoridade do Ministério da Saúde do Irã, sob anonimato, mencionou cerca de 3.000 mortes no país, incluindo agentes de segurança, número também citado por outra fonte governamental como referência de um relatório interno, com ressalva de que pode aumentar.
Linha do tempo: de crise econômica a levante nacional
A cronologia reunida a partir de evidências visuais indica que os protestos ganharam força após uma desvalorização abrupta da moeda iraniana em 28 de dezembro, com paralisações e manifestações em áreas comerciais de Teerã, seguidas por adesão de estudantes e expansão para cidades e regiões do interior.
Trump incentiva protestos e fala em ajuda “a caminho”
Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, publicou mensagem pedindo que manifestantes continuem protestando e “tomem” instituições, afirmando que “ajuda está a caminho” e anunciando cancelamento de reuniões com autoridades iranianas. O texto também menciona ameaça de intervenção militar caso o Irã use força letal.
Reação externa e pressão diplomática
Governos europeus começaram a reagir. França e Itália convocaram embaixadores iranianos, e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, indicou que novas sanções contra responsáveis pela repressão podem ser propostas.
Governo brasileiro se manifesta
Manifestações no Irã
O governo brasileiro acompanha, com preocupação, a evolução das manifestações que ocorrem, desde o dia 28 de dezembro, em diversas localidades do Irã.
O Brasil lamenta as mortes e transmite condolências às famílias afetadas.
Ao sublinhar que cabe apenas aos iranianos decidir, de maneira soberana, sobre o futuro de seu país, o Brasil insta todos os atores a se engajarem em diálogo pacífico, substantivo e construtivo.
O Itamaraty, por meio da Embaixada do Brasil em Teerã, se mantém atento às necessidades da comunidade brasileira no Irã.
Não há registros, até o momento, de nacionais mortos ou feridos.
Risco regional
Eles apontam que a combinação de repressão, apagão de comunicações e números em disputa torna a crise mais difícil de auditar em tempo real, ao mesmo tempo em que aumenta a pressão externa e o risco de escalada regional.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




