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Ratinho Júnior pressionado por bolsonaristas raiz

O governador Ratinho Júnior (PSD) sente o cerco da base bolsonarista no Paraná. A ala raiz cobra um gesto claro de solidariedade ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), hoje em prisão domiciliar, e ameaça desgastar quem vacilar. Os extremistas querem uma palavra mais forte de Ratinho em favor do impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.

Nos bastidores, líderes bolsonaristas miram o Palácio Iguaçu e o tabuleiro de 2026. Ratinho sabe que esse alinhamento pode custar caro. Se não buscar o Planalto, ele, embora negue em público, será candidato natural a uma das duas vagas ao Senado pelo seu grupo. Um movimento brusco agora pode comprometer essa rota.

Some-se a isso um problema adicional para Ratinho Júnior: o PSD, seu partido, já se alinhou a Lula no Nordeste e no Rio de Janeiro, o que torna ainda mais tortuosa a estrada ao Planalto.

Os desaforos atingem também Sergio Moro. O senador do União Brasil, que alimenta o sonho de governar o Paraná, vem sendo fustigado por influenciadores bolsonaristas por “fingir” solidariedade. Pesa contra os dois o fato de não terem ido ao ato convocado por Silas Malafaia em São Paulo e de não terem pedido autorização ao ministro do STF, Alexandre de Moraes, para visitar Bolsonaro em Brasília. O silêncio virou munição no fogo amigo.

Enquanto paranaenses titubeiam, Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) se oferece como “macho alfa” de um consórcio de governadores que se dizem de “direita moderada”. O paulista tenta herdar o espólio do bolsonarismo sem Bolsonaro, projeto que agrada parte dos mais ricos. A leitura na Faria Lima é pragmática. Bolsonaro virou risco por sua situação jurídica e poder de veto a uma candidatura de direita que não seja do clã, mas segue oportunidade como peça de pressão sobre Lula às vésperas de 2026.

Este é o senador Sergio Moro. Foto: reprodução.
Este é o senador Sergio Moro. Foto: reprodução.

O encontro de governadores nesta quinta-feira (7), na casa do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), serviu de vitrine para Tarcísio. Ele defendeu que “todos os Poderes precisam ceder” para reduzir a crise institucional, citou a votação de anistia a condenados pelos atos de 8 de janeiro e foi endossado por Ronaldo Caiado (União-GO) e Mauro Mendes (União-MT).

Davi Alcolumbre (União-AP), presidente do Senado, reagiu e disse que não pautará impeachment de ministro do STF. Hugo Motta (Republicanos-PB), presidente da Câmara, também se mostrou contrário à anistia. O racha é real.

O cálculo eleitoral explica a hesitação no Paraná. Ratinho mede o custo de se colar a um líder sob risco de condenação e prisão. Moro, por sua vez, tenta não romper com a base bolsonarista enquanto procura abrir diálogo com setores que rejeitam o radicalismo. No curto prazo, qualquer aceno enfático pode queimar pontes. No longo, a cobrança pública tende a aumentar.

Há outro vetor. Para os oligarcas do sistema financeiro e da velha mídia corporativa, Bolsonaro vivo-morto tem utilidade, funciona como alavanca para manter juros altos e travar políticas distributivas do governo federal. Essa equação, que mistura política e finanças, ajuda a explicar por que a tropa raiz pressiona Ratinho e Moro, ao mesmo tempo em que flerta com um tucanato de ocasião liderado por Tarcísio.

Dito isto, o Paraná virou laboratório dessa disputa. Se Ratinho insistir na ambiguidade, perderá pela borda para o extremismo vitaminado pelo ressentimento bolsonarista. Se pender demais para o radicalismo, arrisca o centro que sustenta sua popularidade. A chave será a capacidade de construir uma posição pública clara, democrática e institucional.

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