O governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), deu um passo político calculado ao trocar o bolsonarismo pelo lavajatismo. O movimento ficou cristalizado na noite de sexta-feira (8), em Curitiba, durante a filiação do vice-prefeito da capital, Paulo Martins, ao Novo.
Martins, amigo pessoal de Ratinho e recém-saído do PL de Jair Bolsonaro, ingressou no partido que abriga nomes como Romeu Zema (MG) e Deltan Dallagnol, ex-procurador e símbolo da Operação Lava Jato.
A fotografia do evento, com Ratinho, Zema e o deputado Marcel van Hattem (Novo-RS), é um retrato das novas afinidades. Mais do que prestigiar um aliado, Ratinho sinalizou publicamente que está pulando fora do barco bolsonarista, num momento em que Bolsonaro se aproxima de uma condenação e possível prisão em regime fechado.
PSD lulou e Novo vira opção para 2026
No PSD, Ratinho perdeu espaço para seu projeto presidencial. O presidente nacional da sigla, Gilberto Kassab, vem reforçando a aliança com Lula e o PT, articulando palanques conjuntos no Nordeste e no Rio de Janeiro. Para o Blog do Esmael, essa guinada já estava anunciada há meses, e agora se confirma.
O Novo, por outro lado, oferece a Ratinho uma plataforma de centro-direita com forte apelo lavajatista, e que pode acomodar alianças estratégicas para 2026. A presença de Dallagnol, aliado de Paulo Martins, cria pontes com o senador Sergio Moro (União Brasil), que também ambiciona o Palácio Iguaçu.
Alinhamento com Moro e redesenho do tabuleiro
Nos bastidores, circula a tese de que Ratinho poderia apoiar Moro para governador do Paraná, com Martins disputando o Senado e ele próprio concorrendo à Presidência pelo Novo. Uma composição ainda em formação, mas com potencial para reorganizar a centro-direita tanto no estado quanto no cenário nacional.
O gesto de Ratinho também levanta questões sobre o futuro do PSD no Paraná. Nomes como Rafael Greca, Eduardo Pimentel, Alexandre Curi e Darci Piana surgem como possíveis herdeiros do comando estadual, caso o governador de fato deixe a sigla. Também não se descarta o PSD paranaense na órbita do Palácio do Planalto.
Trama em curso
O frio cortante da noite curitibana não impediu que a temperatura política subisse no evento do Novo. A filiação de Paulo Martins foi apenas o primeiro ato de uma trama que deve ganhar capítulos decisivos nos próximos meses.
Ratinho Júnior, que até pouco tempo orbitava no bolsonarismo, agora se abriga sob as cores e narrativas da Lava Jato. Um movimento que, no Paraná, pode redefinir alianças e abrir novas frentes de disputa para 2026.
Acompanhe os próximos capítulos desta novela política pelo Blog do Esmael.

Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




