A fala do ex-prefeito Rafael Greca (PSD) ao receber a Ordem da Luz dos Pinhais escancarou seu plano político para 2026. Além de abençoar o atual prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel (PSD-PR), como candidato à reeleição em 2028, Greca deixou transparecer sua rota para o Palácio Iguaçu na sucessão estadual de 2026.
Greca discursou na quinta (30), ao ser homenageado pelo prefeito Pimentel em cerimônia na Ópera de Arame, em Curitiba, que premiou 19 personalidades da cidade. Em tom messiânico, o ex-prefeito afirmou: “temos sempre que pedir a Deus que a luz dos Pinhais contemple o Eduardo como o sucessor do meu sucessor e seja de novo prefeito de Curitiba”.
O aceno, três anos antes da eleição municipal, chamou atenção no meio político. Dirigentes aliados avaliam que Greca verbalizou o que já circula nos bastidores: sua obsessão em disputar o governo do Paraná em 2026.
A leitura na praça é clara. O ex-prefeito pretende sair do PSD e se filiar ao PP de Ricardo Barros assim que for formalizada a implosão da federação União Progressista, formada por União Brasil e PP. Nos corredores do poder paranaense, o movimento é tratado como “questão de tempo”.
Hoje, Greca ocupa o cargo de secretário de Desenvolvimento Sustentável do Paraná e mantém bom trânsito com prefeitos e líderes na região metropolitana, capital político que pretende ativar na corrida pelo governo estadual. Aliados dizem que ele vê chance de unir setores do empresariado curitibano e grupos tradicionais do interior.
Também há quem projete Greca como possível vice do presidente da Assembleia Legislativa do Paraná, deputado Alexandre Curi (PSD), que pode disputar o Palácio Iguaçu em 2026, em aliança com o PP e partidos conservadores.
Enquanto isso, Pimentel, envolvido na entrega da principal honraria municipal, ouviu o apadrinhamento com naturalidade. O prefeito trabalha para consolidar sua gestão e ampliar pontes com líderes nacionais de todos os partidos, mas a benção pública de Greca reposiciona o jogo interno curitibano.
Fontes ouvidas pelo blog avaliam que, ao lançar Pimentel tão cedo, Greca tenta fidelizar seu time e organizar o terreno político da capital, enquanto prepara sua própria travessia para a disputa estadual.
No entorno do governador Ratinho Junior, o gesto foi visto como “autoproclamação” e sinal de que o tabuleiro paranaense vai ferver antes da virada do calendário eleitoral.
A elite curitibana aplaudiu a cerimônia. Já o campo progressista se movimenta, atento, ao desembarque previsto no PP, sigla que articula caciques tradicionais e projeta musculatura para 2026. No fim de semana, em Foz do Iguaçu, PDT e PT bateram o martelo no nome de Requião Filho ao governo do Paraná.
Dito isto, Greca mostrou que luta para manter conexões e amigos. Curitiba virou base de lançamento para seu projeto estadual, enquanto Pimentel consolida-se de olho em 2028. O jogo começou cedo e deixa claro: 2026 vai ser disputado metro a metro no Paraná.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




