Moradores de comunidades do norte de Quito bloquearam na sexta-feira (10) a principal estrada que liga a capital ao restante do Equador, em resposta à violenta ofensiva militar contra a Comuna de San Miguel del Común, freguesia de Calderón, norte da cidade.
Segundo líderes comunitários, o Exército bombardeou a região por nove horas, usando chumbinhos, bombas atordoantes e gás lacrimogêneo.
A operação, denunciada por organizações civis e pela Confederação de Nacionalidades Indígenas do Equador (Conaie), deixou dezenas de feridos e crianças sufocadas pelo gás.
A marcha das comunas, organizada após o ataque, partiu de San Miguel del Común e chegou a Carapungo.
De acordo com o meio comunitário Wambra, o protesto foi marcado por gritos contra o presidente Daniel Noboa, apagões e bloqueios na Avenida Panamericana Norte, uma das principais vias de acesso à capital.
Em comunicado, os líderes locais repudiaram declarações do tenente-coronel Pablo Argoti, do Distrito Calderón, que atribuiu violência aos manifestantes.
O texto denunciou ainda perseguição militar, drones, helicópteros e infiltrações para monitorar os moradores.
“Isso deve parar”, afirmaram em nota reproduzida pela Rádio Pichincha.
A Conaie, que lidera a greve nacional há 19 dias contra o fim do subsídio ao diesel, responsabilizou o governo Noboa pela escalada da repressão e anunciou a continuidade dos bloqueios de estradas “até que o Estado reconheça os direitos dos povos originários e das comunidades afetadas pela crise econômica”.
A repressão em Quito expõe o esgotamento do governo Noboa, que responde com força militar a demandas sociais legítimas.
O bloqueio da estrada é mais que um ato de resistência: é o grito de um povo que se recusa a pagar a conta da austeridade imposta pelo neoliberalismo andino.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




